A cara de mau engana quem vê de longe os integrantes do Parceiros Moto Clube, um grupo de amigos da zona sul de São Paulo, que há 11 anos realiza anualmente uma festa de Natal comunitária para distribuir presentes às crianças da região do Campo Limpo, na capital paulista. Ao som de clássicos do rock n' roll - como os de Jimi Hendrix, Led Zeppelin e do brasileiro Raul Seixas -, vestidos de jaquetas de couro e com muitos anéis de caveira nos dedos das mãos, os rapazes fazem a alegria da garotada que resistiu à chuva e fez fila para ganhar do Papai-Noel (um voluntário barbudo dono de uma oficina de motos) um dos itens da lista de presentes do "bom velhinho": bolas, carrinhos, bonecas e triciclos.
Acostumados a botar a mão na massa, Jorge Edilson Giordano, o Papy; Gleyzon Dias, o Ursão (Shrek); Fábio Gonzales, o Seg, e seus amigos também decidiram mobilizar protestos contra a onda de violência na cidade, após a morte de um amigo policial militar. Nascia então, de maneira informal, o movimento "Loucos Pela Paz". Em todas as "escaladas" e descidas de viadutos, em que se fantasiam, foram detidos por policiais. A ideia de fazer rapel em viadutos não agrada a todos os parceiros - muitos têm medo que os amigos se machuquem gravemente em uma das tentativas, ou que sejam presos de vez.
"Primeiro, fizemos um protesto em um muro e a Prefeitura apagou tudo. Era um protesto era contra a violência. Quando eles apagaram, a gente fez o mesmo protesto na avenida Carlos Caldeira e na estrada de Itapecerica. Aí a Prefeitura apagou de novo", diz Ursão, um dos membros da "equipe". Injuriado, ele juntou os amigos e teve uma idéia: "Vamos para a ponte". Ele explica a estratégia: "Primeiro fomos na João Dias, depois na Ponte Estaiada, utilizando as mesmas técnicas". Semanas depois seguiram para a avenida 23 de Maio e para a avenida dos Bandeirantes, em frente ao aeroporto de Congonhas.