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Projeto permite alteração de nome e sexo em carteira de identidade

Projeto permite alteração de nome e sexo em carteira de identidade

Redação

27/01/2013 - 00h00
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Uma proposta em análise na Câmara dos Deputados visa permitir a alteração de registros públicos relacionados ao próprio nome, sexo e imagem quando essas informações não coincidirem com a identidade de gênero com a qual a pessoa mais se identifica. O Projeto de Lei 4241/12, de autoria da deputada Erika Kokay (PT-DF), tem como um de seus objetivos eliminar os constrangimentos que uma pessoa passa ao ser tratada pelo gênero diferente do que ela escolheu para si.

Caso seja sancionado, o projeto permitirá que qualquer pessoa maior de idade peça a mudança no registro do nome. No entanto, ele estabelece que a alteração em questão não modifica os direitos e obrigações atribuídos ao requerente até então.

De acordo com a lei 9708/98, o prenome ou primeiro nome é definitivo nos dias atuais, só podendo ser substituído por apelidos públicos notórios – a mudança também pode ocorrer via determinação judicial, nos casos em que o solicitante é vítima de coação ou ameaça ou por estar colaborando na apuração de um crime, por exemplo.

“Queremos nossos direitos, não queremos privilégios”
O Portal da Band ouviu a travesti Keila Simpson, presidente do Conselho Nacional LGBT, para saber sua opinião sobre o PL 4241/12. Ela define a proposta como um “instrumento para o exercício de cidadania” e resume, em nome da classe: “queremos nossos direitos, não queremos privilégios. Nosso RG não diz qual é o nosso sexo, então, não vejo problemas se passarem a respeitar o nome que escolhemos nos nossos documentos”.

Keila explica que, assim como muitas travestis, ela também sofre constrangimentos quando precisa utilizar documentos com o seu nome de batismo. “Nos aeroportos, por exemplo, é comum os comissários verem uma figura feminina e já perguntarem pelo passageiro tal. Eu explico a situação, mas vejo que eles também ficam constrangidos”.

Projeto também trata de intervenções cirúrgicas
O PL 4241/12 também prevê o direito a intervenções cirúrgicas sem necessidade de autorização judicial. Keila explica que, no caso das travestis, ”é consenso que elas não querem a cirurgia, mas precisam de todos os tratamentos disponibilizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) como obtenção de hormônios femininos, fonoaudiologia, dermatologistas e por aí vai”.

“Existe hoje uma portaria que dá direito a esses tratamentos, mas ela é muito complexa”, explica Keila. Segundo ela, a tendência com a aprovação do projeto é de que mais pessoas tenham acesso a tratamentos médicos bancados pelo governo.

Medida foi adotada na Argentina e elogiada pela ONU
No país vizinho, a lei de identidade de gênero foi adotada no ano passado e recebeu diversos elogios de organizações de direitos humanos, como a ONU. Com a lei, os argentinos também passaram a contar com a alteração de registros e documentos conforme a identidade de gênero autopercebida, além de cirurgias e tratamentos hormonais que forem necessários em sistemas públicos de saúde.

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