Ao contrário do divulgado pelo prefeito de Campo Grande (PP) de que sua gestão aplicou o que chamou de “critérios técnicos” para demitir 30 das 96 coordenadoras dos Ceinfs, “critérios políticos” seria o termo correto que justificariam as exonerações, anunciadas anteontem à noite.
Na lista das excluídas, cujos salários variam de R$ 3 mil a R$ 5 mil, aparecem nomes de professoras que chefiavam Ceinfs há 10, 12, 17 anos. O currículo da maioria dessas coordenadoras diz que elas são graduadas, especializadas e algumas com mestrado em educação infantil.
Um outro detalhe que fragiliza o argumento do prefeito, acerca da imposição do “critério técnico”. As coordenadoras demitidas tinham ligação com o PMDB, sigla rival do prefeito, algumas delas inclusive filiadas ao partido.
Ana Rejane da Mota Souza, é um exemplo. Há 17 anos no comando do Ceinf do Bairro Marcos Roberto (70 crianças), disse ter sido demitida na “calada da noite” por uma questão política. Pós-graduada em gestão escolar, a ex-diretora disse que sua exoneração “é uma perseguição política” por ela ter “apoiado Giroto [Edson Giroto, candidato do PMDB, derrotado por Bernal] e Edil [Edil Albuquerque, ex-vice-prefeito, eleito vereador”. Ana é delegada suplente do diretório municipal do PMDB.
Versão do prefeito
“É um cargo de confiança e aqueles que não corresponderem serão demitidos. Eu não tenho compromisso com a coisa errada. Tem que obedecer critério técnicos”, disse o prefeito Bernal.
Quanto ao significado do “critério técnico”, o prefeito aconselhou a imprensa a procurar explicações com a secretária Thais Helena (Assistência Social), mas ela não retornou às ligações.
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