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Cientistas tentam desvendar mistérios da mímica da natureza

Cientistas tentam desvendar mistérios da mímica da natureza

Redação

31/03/2013 - 20h00
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Talvez nenhum lugar tenha atraído e inspirado mais naturalistas importantes que o Brasil. Charles Darwin, em sua viagem épica no HMS Beagle, desembarcou pela primeira vez na Bahia em 1832; dois outros ingleses, Alfred Russel Wallace e Henry Walter Bates, chegaram ao Pará em 1848. Wallace percorreu a Amazônia por quatro anos; o incansável Bates, por 11.

Em 1852, um naturalista chamado Fritz Mueller aportou no país, vindo da Alemanha. Muito menos conhecido hoje, Mueller, ao contrário de seus contemporâneos ingleses, mudou-se para o Brasil com a esposa e o filho pequeno, e não tinha nenhuma intenção de voltar para a Prússia. Um livre-pensador que se recusou a fazer o juramento a Deus – obrigatório para obter a formação em Medicina –, Mueller trocou uma carreira médica na Europa por uma cabana sobre um chão enlameado nos limites de uma área de mata virgem na colônia de Blumenau, em Santa Catarina.

Embora Darwin e Wallace tenham vindo a conceber a teoria da evolução pela seleção natural, ela veio a ser aceita em grande parte graças a Bates e Mueller. Graças a eles, talvez nenhum grupo de animais tenha contribuído tanto para o desenvolvimento inicial da ciência evolutiva quanto as borboletas. Suas ideias continuam a inspirar naturalistas hoje e levaram a surpreendentes novos insights sobre o modo como a evolução funciona.

Os dois encontraram um Brasil repleto de borboletas coloridas. Bates notou, entre suas coleções, determinadas espécies cujos padrões brilhantes de asas se assemelhavam aos de outras famílias de borboletas que viviam na área. Ao investigar por que uma espécie imitaria outra, ele percebeu que as borboletas inofensivas estavam imitando espécies nocivas que eram intragáveis para aves e lagartos, e, portanto, não eram atacadas por predadores.

Apenas alguns anos depois de Darwin publicar "A Origem das Espécies", Bates sugeriu que esse tipo de mimetismo – agora chamado de "batesiano" – constituía uma prova oportuna do princípio da seleção natural.

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