Lideranças indígenas estão reunidas a portas fechadas com o juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e coordenador do Fórum de Assuntos Fundiários, Rodrigo Rigamonte, desde às 10h de hoje (1º), no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. O objetivo é traçar um acordo de paz para que não aconteçam mais conflitos no Mato Grosso do Sul. Rigamonte foi enviado pelo ministro Joaquim Barbosa. No início do encontro Rigamonte se apresentou, agradeceu a presença de todos e declarou que o CNJ não pode admitir o que está ocorrendo. “A violência tem que acabar”, disse.
Também no início, um indígena chamado Everaldo foi retirado do local porque estava com arco e flecha nas mãos. Ele disse que é cunhado de Oziel Gabriel, morto com um tiro no abdômen na quinta-feira (30), e que os objetos não eram armas, mas pertenciam a Oziel e eram um símbolo do conflito. Depois que entregou o arco, o índio pôde acompanhar a reunião. Em seu discurso, o deputado Pedro Kemp (PT) disse que falta vontade política por parte do Governo Federal. “Já foram feitas inúmeras reuniões e nada foi resolvido”, criticou. Já para o procurador da República Emerson Kalife Siqueira, não haverá paz e entendimento sem a contribuição do Governo do Estado.
Lindomar Ferreira, um dos líderes indígenas que ocupam a Fazenda Buriti, pediu um minuto de silêncio e fez um ritual em homenagem a Oziel Gabriel. Segundo ele, o Estado brasileiro tem medo de sentar e resolver o problema das demarcações de terra. “O Brasil é a sexta economia mundial e o povo sofre na periferia. E o povo indígena sofre para sobreviver. Vamos continuar a nossa marcha”, afirmou. Lindomar também deixou claro que os indígenas estão descrentes quanto ao desfecho da situação. 'Nós não confiamos na presidente, não confiamos na Assembleia Legislativa, não confiamos em ninguém. A Dilma nunca nos recebeu, mas já recebeu os ruralistas mais de cinco vezes', acrescentou. A morte de Oziel revoltou a comunidade terena e índios de outras etnias estão se solidarizando. Uma onda de ocupações chegou a ser mencionada, mas as lideranças não vão agir justamente por conta da reunião.
Também participam do encontro alguns produtores rurais, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Joenildo de Souza Chaves, a secretária de Produção, Tereza Cristina Corrêa da Costa, o presidente da Acrissul, Francisco Maia, e da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), Eduardo Riedel.