Familiares, amigos e muitos curiosos lotaram a Paróquia Santo Estevão, em Ribeirão Preto (SP), na tarde desta sexta-feira (21), para acompanhar o velório do estudante Marcos Delefrate, de 18 anos, morto após ser atropelado durante a manifestação na noite de quinta-feira (20). O acidente deixou outras 12 pessoas feridas. O motorista fugiu sem prestar socorro e, apesar de já ter sido identificado, não foi localizado pela polícia.
Durante o velório, o clima era de revolta. Em todos os bancos da igreja, pessoas choravam e repetiam o mesmo lamento: “Era um bom rapaz.” A mãe do jovem, visivelmente abalada, ficou o tempo todo sentada ao lado do marido e abraçado ao corpo do filho. “O meu bebê se foi.”
Delefrate era filho único e morava com os pais e a avó paterna no bairro Ipiranga, a poucos quarteirões onde está localizada a paróquia, que frequentava desde a infância. O jovem, inclusive, tocava violão no grupo de jovens e não perdia as missas aos domingos, conforme contou a avó Maria Pimentel Delefrate.
“A vida dele era um convívio bonito com os amigos da igreja. Ele não era de sair, nem de beber. Aliás, ele ajudou três amigos a sair do mundo das drogas. Isso que aconteceu ontem foi uma coisa horrível. Agora, nossa casa está vazia”, disse a aposentada.
A corretora de imóveis Sandra Queiroz, vizinha da família, confirmou o relato da avó. Sandra contou que, pela manhã, Delefrate era estagiário em uma concessionária de caminhões; à tarde, o jovem fazia um curso técnico; e no período da noite concluía o terceiro ano do Ensino Médio. “Ele saía de casa às 5h e só voltava depois das 22h. A mãe dele estava até preocupada de ele ir nesse protesto, mas como estava de férias, ela deixou”, afirmou.
Ponto de homenagens
O local onde o jovem morreu, na Zona Sul da cidade, também se tornou uma espécie de santuário com vários tipos de homenagens. Desde as primeiras horas desta sexta-feira, dezenas de pessoas levaram vasos com flores, velas e cartazes ao cruzamento das avenidas José Adolfo Bianco Molina e Professor João Fiúsa, onde o atropelamento aconteceu.
Segundo o Banco de Órgãos do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, a família de Delefrate doou as córneas do jovem para transplante.