O governo interino do Egito anunciou hoje que revisará toda a ajuda financeira recebida de outros países, após a União Europeia dizer que reavaliará a relação com o país. A ação dos países europeus é uma represália aos confrontos entre a Polícia e os islamitas, que deixaram mais de 800 mortos em três dias.
A revisão acontece em meio à preocupação da comunidade internacional com a violência no Egito, iniciada após a retirada do presidente islamita Mohammed Mursi, em 3 de julho. A Irmandade Muçulmana, à qual Mursi é vinculado, se recusou a negociar com os militares que retiraram o mandatário.
Em repúdio ao que chamou de golpe, convocou manifestações durante os últimos 45 dias e ocupou duas praças no Cairo. Os acampamentos foram desmontados na última quarta, em uma ação da polícia que terminou em confronto com os islamitas e levou a um massacre que deixou mais de 600 mortos.
Anteontem, a Irmandade convocou um novo ato, chamado "dia de fúria", com novos enfrentamentos que terminaram com 173 mortos. O governo interino afirma ser vítima de uma tentativa de desestabilização do país, chama os islamitas de terroristas e os acusa de terem vínculos com o Taleban e a Al Qaeda.
Hoje, o ministro das Relações Exteriores egípcio, Nabil Fahmy, se antecipou às ameaças de países ocidentais de interromper as ajudas ao país e anunciou que toda a verba recebida de outros países será avaliada.