A médica pneumologista Neiva Damasceno, que tratava do estudante Marcelo Bovo Pesseghini, 13 anos, deve depor à Polícia Civil de São Paulo nesta quinta-feira, por volta das 10h. Na última terça-feira, ela havia adiado seu depoimento por problemas pessoais, mas deve voltar hoje ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para prestar esclarecimentos e ajudar as investigações a traçar um perfil de Marcelo. A médica também deve esclarecer se os remédios que o estudante tomava contra uma doença chamada fibrose cística poderiam afetá-lo psicologicamente. Neiva tratava de Marcelo desde sua infância na Santa Casa de Misericórdia. A fibrose cística é uma doença degenerativa hereditária que compromete o funcionamento das glândulas. A condição do garoto fazia com que as glândulas produzissem substâncias, como o muco, mais espessas e de difícil eliminação, o que contribuía no acúmulo de bactérias, por exemplo.
O garoto é apontado como o principal suspeito de ter matado os pais, os policiais militares Luis Marcelo Pesseghini, 40 anos, e Andreia Regina Bovo Pesseghini, 35 anos, além da avó, Benedita Oliveira Bovo, 65 anos, e da tia-avó, Bernardete Oliveira da Silva, 55 anos. Segundo a polícia, o garoto teria cometido suicídio após atirar nos quatro familiares. A chacina ocorreu no dia 5 de agosto, na vila Brasilândia, zona norte de São Paulo.
De acordo com o delegado Itagiba Franco, apenas a médica deve depor nesta quinta-feira. Até agora, mais de 30 pessoas foram ouvidas pela investigação - entre eles, vizinhos, colegas de escola e professores de Marcelo. O delegado afirmou ainda que a maioria desses depoimentos contribuiu para fortalecer a hipótese principal da polícia, a de que o adolescente matou os quatro familiares e depois cometeu suicídio. Porém, ele afirma ainda que os laudos periciais do IML e do Instituto de Criminalística, que devem ficar prontos na próxima semana, serão os principais elementos para analisar o caso.