Criada a pedido da presidente Dilma Rousseff, a mesa de diálogo com os povos indígenas teve sua primeira reunião hoje marcada pelo embate entre lideranças indígenas e representantes do governo.
Entre outros pontos, o governo foi criticado por índios pelo fato, segundo eles, de as demarcações terem sido mais frequentes nos governos Collor e FHC do que nas gestões petistas.
Os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e José Eduardo Cardozo (Justiça) defenderam os governos Lula e Dilma e apontaram a demora da Justiça brasileira para a continuidade de alguns conflitos.
"É muito importante que a gente tenha consciência da correlação de força na sociedade [para] saber que demarcar terra no governo Collor e FHC era muito mais fácil", afirmou Carvalho, respondendo a Lourenço Milhomem, do povo Krikati, um dos 60 líderes indígenas presentes na reunião.
"Claro que foram muito menos demarcações [nos governos petistas] porque após a Constituição de 1988 havia muito mais terra para demarcar. Sobrou o mais difícil para nós como a guerra que foi demarcar a Raposa Serra do Sol", disse.
A mesa de diálogo com os povos indígenas foi criada após o aumento dos conflitos entre índios e fazendeiros pelo país no primeiro semestre de 2013. Em maio, um índio foi morto em conflito com policiais durante ação de reintegração de posse no Mato Grosso do Sul. A mesa foi organizada pela Comissão Nacional de Política Indigenista.