Decorridos nove meses, a Prefeitura de Campo Grande ainda não conseguiu tirar do papel ou pelo menos dar prosseguimento a cinco obras em Campo Grande, orçadas em aproximadamente R$ 6 milhões, conforme reportagem de hoje (9) no jornal Correio do Estado. São três unidades básicas de saúde da família (UBSF), uma unidade básica de saúde, um centro de educação infantil e uma escola, a maioria deles lançados no ano passado, que já poderiam estar em execução mas esbarraram na morosidade do processo burocrático, necessidade de revisão de contratos, impasses com as empresas vencedoras das licitações e até mesmo motivos inusitados, como a invasão de áreas verdes.
É o caso da obra de Ceinf prevista para a Vila Nogueira, onde a empresa vencedora da licitação ainda não começou os serviços porque a área verde definida pela Prefeitura para o empreendimento está ocupado há 10 anos por aproximadamente 30 famílias. O Correio do Estado esteve no local e constatou que na verdade tratam-se de duas áreas públicas (1 e 2), respectivamente com 5,3 mil metros quadrados e 5,7 mil metros quadrados, a primeira ocupada por casas de alvenaria e a segunda, onde existe hoje um campo de futebol, com casas construídas apenas em uma das laterais do terreno.
Moradores da área invadida informaram que uma parte deles já foi notificada pela Agência Municipal de Habitação (Emha) para deixar o terreno, mas as famílias ainda agarram-se à esperança de negociação com o prefeito Alcides Bernal (PP), na tentativa de permanecer na área. “Vão deslocar a gente para outro lugar e enquanto isso essa outra área (onde fica o campo de futebol) vai continuar vazia e perigosa. Queremos que a prefeitura nos regularize, a gente quer pagar pelo terreno”, disse um dos moradores, que mora na área há 10 anos e não quis se identificar para a reportagem. Enquanto permanece o impasse sobre a área ocupada, mães precisam recorrer a creches de outros bairros para atender suas crianças, ou aguardar indefinidamente pela abertura de vagas nesses Ceinfs. A reportagem é de Daniella Arruda.