A prefeitura de Campo Grande pagou R$ 9,6 milhões pelo programa de Gestão de Informação da Saúde (Gisa), mas ele não funciona. Nem mesmo o agendamento de consulta por telefone, que não dependeria da rede de internet usada pela administração municipal, funciona. A reportagem tentou, por três vezes, marcar uma consulta na tarde de ontem (19) e em nenhuma delas obteve sucesso. Matéria foi publicada hoje (20) no jornal Correio do Estado. Funcionários da Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) do Bairro Maria Aparecida Pedrossian, visitada ontem por deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, também reclamaram do sistema, que, segundo eles, é lerdo. Se dentro das unidades de saúde o Gisa não funciona, do lado de fora a situação não é muito diferente. Considerado um dos principais trunfos do programa, já que tiraria os pacientes das filas nas unidades de saúde, a marcação de consulta por telefone também dá sinais de que não funciona. Na tarde de ontem, a reportagem tentou por três vezes marcar uma consulta em três unidades diferentes: Nova Bahia, Tarumã e Maria Aparecida Pedrossian. Em nenhuma delas obteve sucesso.
De acordo com o Consórcio Telemídia, responsável por desenvolver e implementar o Gisa, as consultas podem ser marcadas por dois números telefônicos: 160 e 0800-7074472. Com o número do cartão do Sistema Único de Saúde (SUS), deveria ser possível marcar consulta com clínico-geral, ginecologista ou dentista. Nas vezes em que a reportagem tentou, a informação é de que não havia agenda disponível. A mesma situação foi vivenciada pela auxiliar de limpeza Laíde Silva de Sá, 49 anos. Moradora do Maria Aparecida Pedrossian, ela diz que já desistiu de tentar marcar consulta médica por telefone. Depois de muitas tentativas, ela já se conformou que o melhor ainda é procurar a unidade de saúde. “Ligava e não conseguia. Era uma enrolação só. Aí, vim aqui e consegui marcar. No telefone, não conseguia”, diz.
Durante a visita dos deputados integrantes da CPI à UBSF do Maria Aparecida Pedrossian, o que não faltou foi reclamação do Gisa. Dos 12 módulos que integram o programa, a unidade conta com cinco deles. Destes, três foram alvo de reclamações: o de cadastro e agenda (recepção), atenção básica e especializada (usado pelos médicos) e farmácia. Na recepção, a reclamação foi a demora do sistema, assim como em todos os outros setores. Na farmácia, a responsável disse que o programa trava, além de ser lento. Aos deputados, ela mostrou várias caixas com receitas que precisavam ser digitadas. Os médicos da UBSF desistiram de usar o Gisa, segundo a gerência da unidade, também devido à demora. Sem o uso pelos médicos, que poderiam passar a receita via sistema, o serviço ficou sobrecarregado na farmácia. A licitação do sistema de Gestão de Informação da Saúde (Gisa) aconteceu em 2009, quando a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) era comandanda por Luiz Henrique Mandetta. O secretário foi procurado por duas vezes, na tarde de ontem, mas a informação é que ele estava em reunião. A reportagem é de Patrícia Belarmino.