Pelo menos 59 pessoas morreram e 175 ficaram feridas no ataque a um shopping de Nairóbi, onde fundamentalistas islâmicos ainda se mantêm entrincheirados com reféns, segundo números divulgados hoje pelo ministro de Interior queniano, Joseph Ole Lenku.
O ataque ocorreu às 13h, hora local. O grupo, usando vestes árabes, invadiu o shopping após explodir uma parede com uma granada. Mandou que os muçulmanos entre os frequentadores fossem embora e começou a disparar contra os outros fregueses.
O shopping Westgate é o mais sofisticado de Nairóbi e muito frequentado por estrangeiros.
"Quero confirmar que recuperamos mais de mil pessoas", acrescentou o ministro em entrevista à imprensa nas imediações do prédio sitiado.
Segundo Lenku, ainda há 30 reféns no shopping, "por isso a operação é muito delicada", justificou. Além disso, destacou que os autores do ataque foram "entre dez e 15" pessoas.
Lenku assegurou que as autoridades quenianas têm o controle do circuito de segurança do edifício e que sabem onde os agressores estão, mas optou por não revelá-lo "por motivos de segurança".
Segundo o Centro Nacional de Operações de emergência, está em curso no local uma grande operação do Exército e da polícia. Por volta de 0h30 no horário local (19h30 em Brasília), cinco reféns foram liberados.
O grupo Al Shebab, que assumiu a autoria do ataque e é ligado à Al Qaeda, disse por meio de mensagens no Twitter que seus membros não iriam negociar com os policiais e justificou a ação como sendo uma represália pela ação de tropas quenianas na Somália.
O Exército do Quênia entrou na Somália em 2011 e ocupa o sul do país, como parte da força africana multinacional que apoia o governo somali contra os rebeldes islâmicos.
"Esta é a justiça punitiva pelos crimes de seus soldados envolvidos no conflito somali. Por terra, ar e mar, as forças quenianas invadiram nossa pátria muçulmana, matando centenas de muçulmanos e provocando a fuga de milhares", disse o grupo por meio de postagens na internet.
Segundo relatos de testemunhas, os atiradores perguntavam às pessoas se elas eram muçulmanas. Quem respondia que sim era liberado para deixar o shopping. Aqueles que respondiam não eram obrigados a ficar.
Repercussão
Por meio de nota, o governo americano se colocou à disposição para ajudar o governo do Quênia a encontrar e a punir os autores do atentado. "Mantemos nosso compromisso de fazer tudo o que pudermos para ajudar a levar os autores desse ato repugnante à Justiça", disse o secretário de Estado americano, John Kerry.
Segundo Kerry, nenhum americano morreu no ataque, mas há cidadãos do país entre os feridos. Os governos da França e do Canadá informaram que duas francesas e dois canadenses foram mortos no atentado.