Vinte e três agentes da Vigilância Sanitária Municipal da capital fluminense foram presos durante uma operação da Polícia Civil deflagrada na manhã de hoje (3) para desarticular um esquema de extorsão a comerciantes. Cerca de 200 policiais estão nas ruas para cumprir 30 mandados de prisão e 52 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça do Rio. Os fiscais são acusados de cobrar propina de comerciantes para não aplicar multas ou identificar irregularidades. Segundo a polícia, a quadrilha movimentava cerca de R$ 5 milhões por ano.
Os agentes da Polícia Civil já apreenderam mais de R$ 1 milhão em espécie, documentos que comprovam o esquema, duas espingardas, um revólver e munições. A maior apreensão foi feita em Campo Grande, na zona oeste do Rio, onde foram encontrados R$ 800 mil em um sítio. O delegado titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco-IE), Alexandre Capote, disse que os presos que têm ensino superior serão encaminhados para o Complexo Penitenciário de Bangu, também na zona oeste.
Segundo o delegado, um veterinário, suspeito de ser o chefe da quadrilha, viajou para o exterior há algum tempo e ainda não foi encontrado. “O esquema criminoso não era muito elaborado porque eles tinham a certeza da impunidade. Só que eles se enganaram. Esse esquema é identificar os comércios, apontar irregularidades e não permitir que os comerciantes consigam sanar essas irregularidades de uma forma prevista na lei. E, quando não encontravam irregularidades, eles inventavam. Eles criavam uma dificuldade para vender uma facilidade.”
Alexandre Capote disse ainda que o valor da multa aplicada pelos fiscais variava de R$ 150 a R$500. “A concussão, que é uma forma de exigir vantagens em função do seu cargo, variava de acordo com a irregularidade. Eles aplicavam um conjunto de fatores que apontavam para um valor que eles definiam. O valor [cobrado] de um estabelecimento, que gastou uma fortuna para tentar solucionar um problema no ar-condicionado, era R$ 400 mensais”.