Desafeto do presidente boliviano Evo Morales, o ex-presidente da Bolívia Jorge Quiroga (2001-2002) agradeceu hoje o governo e congressistas brasileiros pelo asilo concedido ao ex-senador boliviano Roger Pinto Molina. Em rápida visita ao Senado brasileiro, Quiroga fez acusações a Morales e disse que o país vizinho vive um regime anti-democrático.
"Antes, haviam os paredões. Atualmente, o paredão é o judicial", afirmou.
A Procuradoria Geral da Bolívia pediu na semana passada a detenção domiciliar de Quiroga por delitos supostamente cometidos ao aprovar contratos com petrolíferas sem autorização do Parlamento, acusações negadas pelo ex-mandatário.
A solicitação da procuradoria deve ser analisada ainda pela Suprema Corte de Justiça. O Ministério Público acusou Quiroga, o ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada (1993-1997 e 2002-2003) e três ex-ministros formalmente na semana passada pelos delitos de descumprimento de deveres e conduta antieconômica.
Segundo Quiroga, as eleições livres na Bolívia não representam a efetiva democracia no regime de Morales. O atual presidente boliviano, segundo o ex-mandatário, tem o objetivo de se "perpetuar no poder e burlar a Constituição" do país -que permite apenas dois mandatos consecutivos.
O ex-presidente se reuniu com membros da Comissão de Relações Exteriores do Senado para agradecer a operação que resultou na chegada de Molina ao Brasil.
"Quero agradecer à presidente Dilma que, com conhecimento de causa, concedeu asilo ao meu amigo", afirmou.
O presidente da comissão, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), ajudou na operação de fuga de Molina, que estava asilado há mais de 400 dias na Embaixada do Brasil em La Paz, mas o governo boliviano não concedeu salvo-conduto para deixar o país.
O diplomata brasileiro Eduardo Saboia viabilizou a saída de Molina da Bolívia em um carro da embaixada do Brasil, acompanhado pelo próprio encarregado de negócios da embaixada e dois fuzileiros navais brasileiros. Ao cruzar a fronteira, Ferraço cedeu um avião particular para Molina ser transferido a Brasília.
O episódio resultou na demissão do ex-chanceler Antônio Patriota (Relações Exteriores). Saboia também responde a sindicância realizada pelo Itamaraty sobre sua conduta no caso.