Centenas de egípcios opositores e partidários do exército saíram às ruas hoje no Cairo, dia do aniversário das manifestações contra os militares no poder que foram duramente reprimidas há dois anos.
A maioria dos manifestantes comemorou o 19 de novembro de 2011, primeiro dia de uma semana sangrenta durante a qual cerca de quarenta manifestantes hostis ao poder interino do exército após a queda de Hosni Mubarak foram mortos pelas forças de ordem nos arredores da praça Tahrir. Mais de três mil pessoas ficaram feridas.
Anteontem, o governo de transição, nomeado pelo exército em 3 de julho após a destituição e prisão do presidente islamita Mohammed Mursi, inaugurou com grande alarde um "Memorial dos mártires" na Praça Tahrir.
Hoje, os manifestantes em Tahrir responderam a um apelo dos movimentos da juventude hostis ao exército e aos islamitas, e que consideram o Memorial erguido por um governo dirigido de fato pelos militares um "insulto" à memória dos mártires.
Desde ontem à noite, eles cobriram o memorial com pichações e tinta vermelha simbolizando o sangue das pessoas mortas.
"Festejar com cânticos à glória do exército é uma provocação", considerou Magda al-Masrya, uma manifestante de 50 anos, vestida de preto com o rosto coberto por um véu cinza. "Nós estamos aqui hoje em memória dos mártires, em luto", exclamou.