Os Estados Unidos anunciaram a suspensão de "todos os vínculos militares" entre Washington e Moscou, em consequência da intervenção russa na Crimeia, anunciou o Pentágono hoje.
"Isso compreende os exercícios e as reuniões bilaterais, as escalas de navios e as conferências de planejamento militar", declarou em nota o porta-voz da Defesa americana, o contra-almirante John Kirby.
A agência de notícias Reuters noticiava na noite de hoje que os EUA também tinham colocado em suspenso o comércio bilateral e os diálogos sobre investimentos com a Rússia.
Sanções
O presidente americano, Barack Obama, já havia advertido mais cedo que os EUA estudava medidas econômicas e diplomáticas para "isolar a Rússia". Segundo ele, Moscou se coloca no "lado errado da história" com sua intervenção militar na região ucraniana da Crimeia
Também o chanceler francês, Laurent Fabius, afirmou que a União Europeia iria discutir "medidas concretas" de retaliação, como suspensão de acordos econômicos e de negociações de vistos. Líderes do bloco se reunirão na próxima quinta-feira.
A Europa, porém, importa da Rússia cerca de um terço do gás que consome, o que pode frear a adoção de sanções mais duras. Os europeus sugeriram a mediação internacional da crise, que poderia ser conduzida pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.
O secretário de Estado americano, John Kerry, viaja hoje a Kiev, em um forte sinal de apoio ao governo interino ucraniano, que assumiu após a saída do presidente Viktor Yanukovych.
A tensão na Crimeia começou depois que protestos em massa -especialmente em Kiev- levaram à queda do presidente ucraniano Viktor Yanukovich, aliado de Moscou, e à sua substituição por um governo mais próximo do Ocidente, em fevereiro.
A transição levou a população da Crimeia, de origem majoritariamente russa, a protestar contra o novo governo -e a Rússia, a enviar tropas para a região, onde mantém uma base militar estratégica.
Hoje, Donetsk, Lugansk e Odessa, que ficam fora da Crimeia, também tiveram atos pró-Rússia. Em Donetsk, manifestantes invadiram a sede do governo local.