A partir de hoje será possível relembrar a Paixão de Cristo e se emocionar com o sofrimento da morte e alegria da ressurreição de Jesus. As tradicionais encenações acontecem em diversas paróquias e comunidades de Campo Grande. O Padre Wilson Ferreira, da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, enxerga a peça teatral como uma maneira eficiente de a Igreja dialogar com os fiéis e com a população em geral. “A Igreja tem seus meios para anunciar e a forma de apresentação teatral é traduzir para as pessoas os fundamentos da nossa fé”, opina. Mais que pregar a palavra, as apresentações transformam devotos comuns em atores e representam um papel inesquecível para aqueles que já são intérpretes profissionais.
Privilégio
O ator e diretor Edilton Ramos já viveu o papel de Jesus Cristo inúmeras vezes. A primeira foi em 1977, em um monólogo. Depois, em 79, fez sua estreia em Paixão de Cristo. A responsabilidade de incorporar uma figura tão amada e doutrinada é vista como um verdadeiro privilégio. “É maravilhoso”, diz o ator. “Não é qualquer personagem. O ator tem que procurar as referências justamente no plano divino, nas orações. Eu fui enxergando o personagem com outros olhos e minha maior inspiração é a fé”, revela. Na maioria dos casos das apresentações realizadas por paróquias, os atores são fiéis dasOcomunidades que cresceram assistindo aos espetáculos. Na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, o novo intérprete de Jesus tem como experiência a observação. “O Roger acompanha as apresentações há muitos anos”, relata Alyne Goulart, uma das católicas por trás da produção do evento. “Ele está indo muito bem”, afirma.
Mesmo sentimento
A mesma história contada todos os anos ainda é sucesso de público e emoção garantida. “Nossa encenação acontece há 12 anos e ano passado vieram cerca de três mil pessoas”, revela Alyne. A regente Ester Leal, que coordena o coral da Igreja Adventista do Sétimo Dia que se apresentará na Feira Central, relata que a reação do público é universal, independente de país ou idioma. “Apresentamos nossa versão no Peru e Estados Unidos, com legendas.
Os sentimentos se repetem”, destaca Ester. “Quando acaba, as pessoas estão muito emocionadas pelo o que viram”. “É uma maneira de tocar a pessoa”, opina o Padre Wilson. “Pelo contexto forte, todo sofrimento, a reflexão pessoal acaba sendo um pouquinho mais aprofundada”. Mesmo quem está acostumado a reviver a história todos os anos pode terminar em lágrimas. “Nós mesmos estamos aqui e já sabemos tudo o que vai acontecer, mas sempre há uma ansiedade muito grande, não tem como não se emocionar ao relembrar tudo”, confessa Ester.
Estrutura
Montar uma encenação da Paixão de Cristo não é tarefa fácil. O número de atores e figurantes passa dos cem em qualquer montagem modesta. “Para a encenação, teremos 150 pessoas, e mais 100 na produção”, comenta a regente Ester Leal. Além disso, há a preocupação com cenários, figurinos, maquiagem, trilha sonora e outros detalhes grandiosos. Edilton conta que nem sempre há recursos para criar as melhores montagens, mas a emoção nunca falta. “O teatro trabalha com imaginação, e a maioria das pessoas já conhece as escrituras, então elas sabem todos os elementos”, pontua. Para Ester, o seu musical é simples, mesmo com 250 pessoas envolvidas. “Mas o grande objetivo é transmitir a emoção. A gente acredita que Deus nos fala e a gente tenta passar isso adiante”, conclui.
'Paixão de Cristo' na Capital
Feira Central
O musical é hoje, na 7ª edição da Festa do Peixe, às 19h30min, na Feira Central.(Avenida 14 de Julho, 3.351).
Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora
Amanhã, às 19h30min, na paróquia (Avenida Manoel Ferreira, 171, Bairro Santo Antônio. A entrada é um quilo de alimento não perecível.
Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
Amanhã, às 19h, Via-Sacra nas ruas.
Hospital São Julião
Amanhã, às 9h, acontece encenação da paixão de Cristo com texto produzido pelo escritor Lino Villacha