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SANTA CATARINA

'Nunca vi uma coisa daquelas', diz homem que ficou dois dias em árvore

'Nunca vi uma coisa daquelas', diz homem que ficou dois dias em árvore

Redação

12/06/2014 - 22h00
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“Rezei muito para Deus e Nossa Senhora Aparecida. Senti muito medo. Nunca vi tanta água daquele jeito. Se a água arranca a árvore não sei o que ia acontecer”, lembra o agricultor Josias Camilo da Graça, de 52 anos, que ficou preso a uma árvore por dois dias durante a enchente do Rio Piquiri, em Francisco Alves, no oeste do Paraná. O homem estava na ilha Tapejara na segunda-feira (9), quando foi surpreendido pela cheia, até ser resgatado na tarde de terça-feira (10), depois de quase 30 horas.

“No domingo ainda dormi no rancho. Na segunda acordei, fiz o café e quando vi que a água ia ganhando a porta da cozinha fui obrigado a dar meus pulos. Nem ia adiantar tentar pegar o barco”, lembra. Como não sabia quanto tempo o resgate demoraria, separou roupa, uma lamparina, água e comida e subiu em uma das árvores perto da casa. “Conforme a noite foi chegando, passei a corda em um galho e fiquei por ali amarrado. Tive medo de cochilar e cair na água.”

No outro dia continuou esperando pelo socorro. “Ficava lá vendo a água levar os dois ranchos. Era uma água pesada e muito galho”, recorda. “De tardezinha chegou o resgate. Vi o barco, comecei a gritar, mas demoraram para escutar porque estavam com o motor ligado. Quando me viram e chegaram perto perguntaram se eu estava machucado, falei: ‘graças a Deus que não’. Ainda bem que vocês chegaram’.”

Segundo Joacir Perez, coordenador da Defesa Civil de Palotina, as buscas só foram iniciadas na terça-feira depois de um morador de Francisco Alves desconfiar que Josias estava preso na ilha e decidiu pedir ajuda para procurá-lo. A ilha Tapejara, onde o homem estava e que usa para plantar e pescar, ficou totalmente encoberta. Apesar do susto, o agricultor disse que pretende voltar ao local e recuperar o que perdeu.

Estragos das chuvas

O número de municípios atingidos pela chuva no Paraná aumentou de 135 para 148, segundo o boletim da Defesa Civil, divulgado nesta quinta-feira (12). Até o último boletim, que saiu às 12h, ao todo, 578.220 pessoas tinham sido atingidas pelo temporal. Onze morreram e outras 107 ficaram feridas, 5.204 estão desabrigadas e 32.728, desalojadas. Não há mais desaparecidos.

Em todo o estado, 130 cidades decretaram situação de emergência. Além desses municípios, que foram decretados em estado de emergência pelo governo estadual, Lunardelli, no norte, também passou a integrar a lista a partir de um decreto do prefeito.

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