Cidades

Entrevista da semana

‘Na Capital, há necessidade de instalação de mais 565 hidrantes’, diz comandante

‘Na Capital, há necessidade <br>de instalação de mais 565 hidrantes’, diz comandante

Redação

27/07/2014 - 18h30

A época compreendida entre os meses de julho e setembro requer maior atenção por parte do Corpo de Bombeiros Militar Metropolitano. Segundo o coronel e comandante Jairo Shoitiro Kamimura, é o período em que os incêndios florestais ocorrem em maior número, em função da estiagem. Nesta entrevista, ele fala sobre estas ocorrências e a falta de responsabilidade de vários cidadãos que colocam fogo em terrenos baldios, na eliminação incorreta de lixo. E aborda, ainda, temas como socorro a vítimas de acidente de trânsito, hoje, tido como o principal atendimento da corporação na Capital. Para finalizar, traça um panorama de como anda a instalação de hidrantes na Capital e no entorno, já que a cidade cresce rapidamente.

CORREIO PERGUNTA: O 1º Grupamento de Bombeiros Militar iniciou o reforço nas guarnições da Capital para o combate a incêndio florestal. Este reforço engloba instrumentos de trabalho e pessoal?
JAIRO SHOITIRO KAMIMURA –
Nesta época de julho, geralmente, colocamos reforço nas guarnições e reforço estratégico na Capital. Um na Costa e Silva, guarnição com viaturas, e outro no Parque dos Poderes. São duas guarnições reforçando o combate a incêndios florestais na Capital, seja atendendo terrenos baldios ou no perímetro fora de Campo Grande, até São Gabriel do Oeste, Ribas do Rio Pardo, Rochedinho, Sidrolândia e Nova Alvorada do Sul. Tudo isso é de responsabilidade do Comando Metropolitano de Bombeiros.

E o reforço de pessoal também ocorre?
Sim, além do pessoal, a gente colocou duas viaturas para ajudar no combate ao incêndio florestal. Estas duas viaturas têm a postos três militares cada, para fazer o atendimento. Por exemplo, no mês de julho, até o último dia 21, nós tivemos 54 ocorrências atendidas só no perímetro urbano aqui da Capital. São incêndios em terrenos baldios, chácaras. Este já é um número crescente, por isso que tomamos a iniciativa de fazer reforço nas unidades operacionais.

Esta atitude é preventiva diante da estiagem mais acentuada em agosto e setembro. Quais são as principais ocorrências nesta época, como e onde elas ocorrem?
Estas ocorrências de incêndio florestal em vegetação estão ocorrendo mais em terrenos baldios. Ou seja, muitos de nossos cidadãos têm uma cultura diferenciada em achar que o terreno, quando há uma vegetação alta, pode ser limpado colocando fogo. Ou, então, alguns cidadãos têm o costume de pegar o entulho, detrito de lixo e jogar num terreno onde não existe nenhuma edificação, pensando que ali ficará longe do problema. Na verdade, ele está causando um problema a mais para a sociedade. Porque alguém pode ficar incomodado com aquele entulho e colocar fogo. Isso provoca mais problema ainda, porque além de propagar chamas e trazer riscos para as pessoas e edificações em volta, tem o grave problema da fumaça, que prejudica principalmente crianças e idosos. Indiretamente, causa o que? Os postos de saúde, os hospitais ficam repletos de pessoas com problemas respiratórios.

E nesta meia centena que o senhor citou, houve algum caso muito grave?
Geralmente, quando o Corpo de Bombeiros é acionado é porque se está ocorrendo risco. O Ciops, centro de operações, faz um rastreamento se a ocorrência é ou não de risco. Muitas vezes, quando o 193 é acionado, a gente interpreta como emergência, mas é feito um rastreamento, análise daquela solicitação, para verificar se é de emergência ou não. Uma vez confirmando que é de emergência, nós deslocamos a viatura para o combate ao incêndio. Muitas vezes, quando a guarnição chega ao local, está ocorrendo risco, está próximo a residências. E além do atendimento no combate às chamas, temos que atender as pessoas atingidas pela fumaça, isso não é raro.

Existe uma brigada treinada especificamente para este tipo de atendimento? Como ela é formada e como atua?
Existem as brigadas, elas são treinadas, e as guarnições que são reforço têm todo conhecimento de como fazer o combate aos incêndios florestais. E este reforço fica a postos apenas nesta época, que vai de julho a setembro, por existir um índice muito grande deste tipo de incêndio.

O CBM tem estatística do número de atendimentos nesta época, em 2013? O número cresceu?
Sim. Comparando julho de 2013 com julho de 2014, nós tivemos 72 ocorrências em julho de 2013. Neste mês, que ainda não terminou, nós já temos 54 ocorrências de incêndios florestais.

Quais atitudes o cidadão comum pode tomar para evitar princípio de incêndio nesta época que se aproxima?
Como eu havia dito, muita gente tem esta cultura de colocar fogo em terreno baldio ou no entulho que ali é jogado. Além do problema do fogo, nós consideramos este ato crime ambiental. A legislação federal prevê que, uma vez detectado quem é este cidadão que colocou fogo, as pessoas que estão sabendo quem é ele podem fazer denúncia na Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais. Lá será registrado um boletim de ocorrência e tomadas as providências. Uma vez sendo punido, a pena é de reclusão de 2 a 4 anos, podendo haver multa também de R$ 1,3 mil a R$ 5,2 mil. Assim, recomendamos que a pessoa apenas faça a limpeza do terreno, com capinagem. Contrata-se a caçamba para colocar os detritos de vegetação e tudo será encaminhado para local adequado.

Além desta parte ambiental, pode-se dizer que atualmente o que mais exige dos bombeiros é o atendimento a acidentes de trânsito? Quais os números até este mês em atendimentos?
Acidentes de trânsito são o maior número de atendimentos que nós realizamos na corporação, numa ordem de 70 a 75% das ocorrências em acidentes de trânsito envolvendo vítimas.

Quais as regiões com maior incidência de acidentes e quantos homens são envolvidos na ação, normalmente?
A área central tem o maior número de ocorrências de acidentes de trânsito, nas avenidas principais de nossa Capital. E posso dizer que 60% destes acidentes envolvem motocicletas.

E os acidentados são encaminhados para onde?
Para o hospital ou para as Upas, porque o Corpo de Bombeiros obedece a regulação médica. Primeiro vai ao Centro de Operações, o Ciops, solta ordem de socorro, a unidade de resgate vai até o acidente de trânsito com vítima, faz os procedimentos com ela, entra em contato com a regulação médica, que indicará para onde a vítima será encaminhada.

E no que se refere a equipamentos para este tipo de socorro, como está o Corpo de Bombeiros?
De equipamento, de viaturas, nós tivemos investimento na Capital de dez viaturas UR (unidade de resgate), sendo que nove foram recentemente pagas pelo governo estadual. Quanto às viaturas de resgate, nós estamos bem. Material de empenho também estamos razoavelmente bem: temos três viaturas ABT (auto bomba tanque), com 5 mil litros de água cada uma delas, em pontos estratégicos na Capital, além disso temos as viaturas na BR, distribuídas no Moreninha, Aeroporto e Parque dos Poderes, com 2 mil a 2,5 mil litros de água cada uma destas para princípios de incêndios e mais equipamentos, como abafador, bomba costal para os incêndios de vegetação ou florestais.

O senhor diria que a Capital tem, hoje, equipamento condizente com possíveis atendimentos de incêndio em edifícios muito altos?
Nós temos um certo respaldo pelo sistema preventivo das edificações. Por isso que, tranquilamente, podemos fazer os atendimentos em edificações altas. Estes edifícios só recebem o alvará mediante a colocação do sistema preventivo exigido pela legislação. E tudo tem que estar em funcionamento. Estas edificações, hoje, têm todo um aparato de sistema preventivo que permitem não haja tanta necessidade de termos uma escada Magirus, por exemplo, ou muitas viaturas para fazer o combate, porque o próprio sistema preventivo do prédio nos ajuda e muito. A saída de emergência, também, o elevador de emergência e a escada enclausurada, à prova de fumaça, têm que estar todos em funcionamento adequado. E faço uma ressalva para as pessoas que moram nas edificações, para olharem aquelas portas corta fogo, que dão acesso às escadas enclausuradas, mantê-las sempre fechadas, não amparar a porta com sacos de lixo para ventilação, para esconder a lixeira do corredor. Em caso de incêndio, se estas portas estiverem abertas, não adianta nada.

O número de hidrantes está à altura do que a cidade necessita?
Sobre os hidrantes da via pública em nossa Capital, fizemos recentemente um levantamento e já estamos trabalhando nisso desde o ano passado, trabalhamos com a previsão de aumentar o número de hidrantes, porque chegou-se a um consenso, com a comissão que trabalha com isso. Esta comissão é formada pela Agereg (agência reguladora do município), pelo Corpo de Bombeiros Militar, pela Águas Guariroba, Semadur, Seintra, Agetran e Planurb.

Então há uma demanda maior de hidrantes já que a cidade está crescendo?
Temos uma projeção de crescimento de mais bairros em várias localidades. Nossa preocupação com este crescimento fez com que fizéssemos esta projeção de mais hidrantes. Na Capital, hoje, temos 136 hidrantes em funcionamento. E temos uma proposta de instalação de mais 53 hidrantes emergenciais. Destes 53, já foram instalados pela Águas Guariroba 30 hidrantes, nos mais diferentes pontos, onde a comissão, em comum acordo, achou que precisava. Faltam ser instalados 23. É a proposta que estamos colocando e a comissão está quase acatando o número. Na Capital, há necessidade de instalação de mais 565 hidrantes, além dos já existentes. Esta é uma projeção crescente, dos bairros, que já estamos projetando.

E quanto tempo o senhor acredita que levará para isso ocorrer?
Isso tem que entrar no Plano Diretor do Município. Por isso que os órgãos que fazem parte da comissão são importantes, para, junto ao Poder Executivo, fazerem entrar na pauta do Plano Diretor, para contemplar ano a ano, verificar como vamos fazer para instalar os hidrantes.

O que, de fato, mudou com aprovação do novo Código de Segurança Contra Incêndio, Pânico e Outros Riscos (Lei Estadual 4.335/13)?
Completou um ano este código em abril, e podemos falar que foi uma inovação para a corporação, mas quem realmente ganhou foi a sociedade, que se sente mais segura. Cabe ao proprietário procurar o Corpo de Bombeiros e solicitar a vistoria.  

Cidades

TJMS obriga prefeitura pagar transporte aéreo de bebê para tratamento pós-cirúrgico

Município teria negado custeio de transporte de avião, mesmo com recomendação médica em razão do tempo de vida da bebê, de 11 meses, e risco de complicações após cirurgia

07/11/2026 11h30

MPE garante transporte aéreo para bebê de 11 meses

MPE garante transporte aéreo para bebê de 11 meses Banco de Imagem

Continue Lendo...

À FRENTE

Presidente do TJMS diz que tribunal será “vanguarda do Judiciário nacional"

O desembargador Dorival Pavan concedeu entrevista ao Correio do Estado depois de ficar à frente do Governo do Estado por seis dias

07/11/2026 10h30

Dorival Renato Pavan, presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS)

Dorival Renato Pavan, presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).