A pressão exercida por médicos da Santa Casa para encaminhar seus pacientes de câncer a uma clínica privada foi o estopim para que o hospital fechasse o setor de oncologia, no dia 21 do mês passado. O tratamento de câncer no hospital ficou em evidência depois que três pacientes do local morreram durante quimioterapia em uma clínica terceirizada no fim de junho, caso que levou a diretoria a suspender o atendimento e, mais tarde, fechar de vez o setor.
Os detalhes que levaram ao fim do tratamento de câncer na Santa Casa foram denunciados ontem por integrantes da diretoria do hospital.
A pressão teve início com a suspensão do tratamento, que ocorreu após as mortes na clínica terceirizada, que tinha como um dos sócios o médico Adalberto Siufi, investigado desde o ano passado pela Polícia Federal por envolvimento em supostos desvios de recursos federais para tratamento de câncer.
Os médicos do maior hospital de Campo Grande passaram a forçar o encaminhamento dos 600 pacientes à clínica Radius (a antiga Neorad, que também pertenceu a Siufi, e foi um dos pivôs da Operação Sangue Frio da PF). A direção da Santa Casa, no entanto, não teria concordado com o preço cobrado pela Radius: duas vezes o valor da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) para cada paciente.
A reportagem, de Gabriela Couto e Celso Bejarano, está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.