Em meio à crise financeira instalada na Prefeitura de Campo Grande, a administração municipal vai contrair dois empréstimos para conseguir dar continuidade a obras e pagar servidores. Está em andamento, e precisa ser aprovado pela Câmara de Vereadores, um financiamento de R$ 42 milhões junto à caixa Econômica Federal (CEF). Além disso, o prefeito Gilmar Olarte (PP) confirmou ontem um segundo empréstimo que está sendo negociado em São Paulo. Este último será usado para “equilibrar as contas” e garantir reajuste no salário dos professores, que cobram 8,46% de aumento previsto em lei para este mês.
Ainda ontem, o prefeito Gilmar Olarte cumpriu a promessa e começou a exonerar, em massa, servidores nomeados da estrutura municipal. Foram demitidas 122 pessoas, segundo publicação no Diário Oficial de Campo Grande. O número pode chegar aos 200, conforme o chefe do Executivo afirmou ontem. Ao comentar sobre a ida do secretário-adjunto de Planejamento, Finanças e Controle, Ivan Jorge Cordeiro de Souza, a São Paulo, o prefeito afirmou que se trata de “um outro empréstimo que vai ser o necessário para pagar o aumento dos professores e equilibrar as contas”. Olarte não comentou de quanto seria esse valor. Por sua vez, Ivan Jorge disse ao Correio do Estado que sua viagem não se trata de uma tentativa de empréstimo, mas de “outro tipo de operação financeira”. Mesmo sem confirmar o valor, Olarte revelou que o segundo empréstimo tem como objetivo pagar o aumento dos professores, estimado em R$ 3,6 milhões mensais, ou quase R$ 15 milhões até o fim do ano, se incluído o 13º salário.
Porém, o secretário-adjunto também não comentou que tipo de operação seria ou de quanto seria o valor pedido. “É um pedido de recurso que fecha toda a nossa necessidade. Mas isso ainda não está concretizado, então vou declinar em informar o valor”. Conforme Ivan Jorge “há outras formas de obtenção de recursos que não apenas empréstimos. Há outras formas e vamos viabilizar ainda este ano. O recurso é diretamente proporcional à nossa necessidade”, afirmou. O outro empréstimo de R$ 42 milhões é para que a prefeitura tenha dinheiro para aplicar nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento II (PAC) que precisam de contrapartida.
Discussão
Novamente, a negociação sobre o reajuste de 8,46%, já aprovado em lei mas não garantido pelo município, foi adiado. Ontem, o prefeito Gilmar Olarte recebeu representantes do Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP), mas uma decisão ficou para hoje pela manhã. O prefeito alegou que Ivan Jorge ainda não havia retornado de São Paulo com a resposta sobre os novos empréstimos, que podem garantir o reajuste, e os professores decidiram aguardar as novidades. Olarte avisou anteriormente que poderia escalonar o reajuste, ideia que tem resistência do magistério.