O sonho da casa própria, que durou cinco anos, será realizado amanhã de manhã, quando a prefeitura inaugura os residenciais Ary Abussafi e Gregório Corrêa, no Bairro Parque Isabel Garden’s, mas as 313 famílias previstas para ocuparem as casas não poderão se mudar para lá no dia da inauguração. Elas vão receber chaves simbólicas, porque 73 famílias que serão beneficiadas ainda não tiveram seus cadastros aprovados na Caixa Econômica Federal (CEF).
A maior parte das pessoas que vão receber as novas casas é da favela Portelinha, localizada ao fim da Avenida Heráclito de Figueiredo, no Bairro Jardim Presidente. São 143 famílias que aguardam com ansiedade a nova moradia. Entre elas, a dona de casa Kayla Branco Coimbra, 29 anos, que há três invadiu a área com o marido e os filhos. Ela está feliz porque foi contemplada, mas reclama da demora.
“Eu já sei qual é a minha casa, tem água, tem luz, mas não posso me mudar porque tem 73 famílias na lista de espera, porque os documentos que entregaram deram algum problema”. O pedreiro Raimundo Nonato da Silva, 49 anos, ocupa um barraco na invasão há cinco anos. Ele é um dos que não puderam conhecer seu novo imóvel porque o cadastro na Caixa apresentou alguma falha. “Mas eles não dizem o que é. Faz cinco anos que estou aqui e todos os documentos que eles pediram eu entreguei. Tudo que pediram para eu assinar, eu assinei, providenciei tudo. Estava tudo pronto para mudar e o que eles estão esperando?”, questiona, indignado.
Ele mora lá com a esposa e um filho pequeno e aguardava receber as chaves do imóvel quando soube que não poderia ser contemplado ainda. “Eles falaram que estava previsto e combinado de entregar as chaves dia 29 [amanhã] para as pessoas que estão com documentos o.k. Mas ficaram pessoas pendentes e agora não vão entregar mais. Não sei qual o problema com os documentos”, lamentou.
A reportagem, de Lucia Morel, está na edição de hoje (28) do jornal Correio do Estado.