O contrato bilionário assinado entre a prefeitura e o Consórcio Guaicurus, grupo de quatro empresas que explora o serviço de transporte coletivo de Campo Grande até o ano de 2032, completou dois anos no mês passado e pelo menos três ações previstas no acordo, duas delas capazes de mudar a rotina de muitos campo-grandenses, ainda não saíram do papel.
Pelo serviço, as quatro empresas receberão, contabilizando as duas décadas, R$ 3,4 bilhões dos usuários do transporte público. O consórcio deve investir R$ 350 milhões no transporte da cidade até o fim do prazo da concessão, que pode ser prorrogada por mais 10 anos. Em contrapartida, a prefeitura prometia, na época da negociação, concluir as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade, que contam com a implantação de corredores exclusivos para ônibus, recapeamentos e até a construção do viaduto da Avenida Gury Marques, onde hoje há uma rotatória.
Dois anos e um mês após a assinatura do contrato que possui mais de 10 mil páginas, o balanço parcial é de prazos não cumpridos e projetos que até hoje ocupam espaço nas gavetas da administração municipal. A implantação do Sistema de Informações Georreferenciadas é uma das ações que o consórcio se comprometeu em concluir no prazo de 24 meses após o início da concessão, em novembro de 2012. Quase dois meses após o fim do prazo já se passaram e o sistema até agora não está em funcionamento.
Um dos principais benefícios que o usuário já poderia estar usufruindo se o sistema tivesse saído do papel é saber exatamente o horário que os ônibus chegam ao ponto ou aos terminais. O sistema possibilita que as informações de horário de cada linha e duração do itinerário possam ser consultadas em tempo real por meio de aplicativos de celular, monitores e totens instalados em pontos e terminais. Com a tecnologia em mãos, o tempo de espera em pontos diminui, já que o usuário sabe exatamente quando deve ir ao ponto ou terminal embarcar no coletivo. Outro item do contrato que ainda não foi cumprido e que deveria ter sido concluído até outubro deste ano pelo Consórcio Guaicurus é o encaminhamento de dados da ‘Pesquisa Matriz Origem-Destino’ ao governo federal. A pesquisa, que ao que tudo indica até agora não foi feita, é uma das primeiras etapas do processo de planejamento de transportes, que prevê a melhoria dos serviços.
A reportagem, de Aliny Mary Dias, está na edição de hoje (17) do jornal Correio do Estado.