Multas aplicadas pela Semadur não estão resolvendo a situação dos terrenos sujos na Capital. O problema que já vem de longa data se agrava com a grande quantidade de lixo depositada nesses locais, aumentando a proliferação de doenças e trazendo riscos à vida da população. Além de servir de abrigos a animais peçonhentos como cobras, os terrenos são utilizados como esconderijo de marginais.
Na Avenida Brasil Central, no Bairro Santo Antônio, uma quadra está inteira tomada pelo mato e pelo lixo. Segundo os moradores, na maioria das vezes as pessoas vêm de carro e jogam entulhos e sacos de lixo no terreno. “As pessoas já se acostumaram a fazer isso, depois que um começou agora virou rotina, quase toda semana tem um aí jogando lixo”, disse a aposentada Deusa Natal Silo, 71 anos. Um pouco mais pra frente na mesma rua, a dona de casa Claudia Estela Faria, 32 anos, está inconformada com um terreno que está há anos abandonado ao lado da sua casa. Ela contou que o proprietário nunca apareceu e que o marido é quem às vezes faz a limpeza do local. “Eu tenho 3 filhos ainda crianças e tenho medo de cobra ou escorpião aparecer em casa, eu não tenho condições de pagar alguém pra limpar, então nós mesmos fazemos a limpeza”.
Em outra região da Capital, na Avenida Nasri Siufi, no Bairro Coophavila II, entulhos, matos, galhos, madeiras e sofás ocupam a via. Em algumas situações, o canteiro central teve o excesso aparado, mas o outro lado da rua não.
No Bairro Vilas-Boas, na Rua Bom Pastor, os usuários do transporte coletivo esperam o ônibus no meio do mato.
Moradores da Rua Alexander Fleming, na Vila Bandeirantes, e na Rua Dona Bem Vinda, no Jardim Cerejeiras II, vivem a mesma situação que as demais regiões e afirmam que apenas receberam a visita de agentes de saúde, que tiraram fotos e fizeram vídeo de, pelo menos, dois locais.
“O dono desse terreno nunca apareceu aqui, o mato não para de crescer e com a chuva ele cresce mais, sem falar na sujeira”, lamentou o aposentado Manoel Vieria, 60 anos, morador do Jardim
Cerejeiras.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, fiscais fazem vistorias em diversos bairros da cidade. Quando eles flagram o problema e emitem a notificação, o dono tem um prazo para resolver a situação. Se durante nova vistoria for constatado que nenhuma providência foi tomada, pode gerar multa.
Mesmo com valores de no mínimo R$ 600 para a limpeza de um terreno, o gasto compensa, pois a multa pode ser ainda mais pesada. O valor inicial para quem insiste em deixar o terreno sujo é de R$ 1.624 e pode chegar a R$ 6.498.
A prefeitura ainda informou que qualquer cidadão pode denunciar terrenos particulares com lixo e mato ligando 156. A denúncia pode ser feita anonimamente e com o número de protocolo é possível acompanhar o seu andamento.