Pela primeira vez, as sete escolas de samba do grupo especial irão ratear por igual os recursos financeiros para o desfile de rua do Carnaval 2015 em Campo Grande. Com a mudança, a expectativa é que a disputa pelo título fique mais nivelada e competitiva.
Segundo o presidente da Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande (Lienca), Eduardo Souza Neto, o valor do rateio ainda está sendo definido. A decisão foi tomada em consenso com as próprias agremiações.
Nas outras edições, os recursos financeiros eram divididos de acordo com a colocação de cada escola. Assim, a campeã sempre ficava com a fatia maior do bolo, algo em torno de R$ 20 mil.
“Como no ano passado todas as sete escolas participantes foram homologadas campeãs, então tomamos esta decisão em consenso, que isso fique bem claro”, explica Eduardo.
No desfile em 2014, não houve uma única campeã porque a apuração foi suspensa, na Praça do Rádio Clube. A confusão começou depois que alguns jurados deram notas muito desiguais, o que causou revolta, principalmente dos integrantes da Escola Igrejinha - a escola estava na disputa direta do título ao lado da Unidos da Vila Carvalho.
Foi preciso a intervenção da Polícia Militar para conter os foliões que tentaram invadir a área destinada aos organizadores do evento. Eles deixaram o local, sem dar o resultado final do desfile.
Por isso, a novidade para este ano também será um corpo misto de jurados, com profissionais de fora do Estado. A decisão foi tomada em conjunto pelas agremiações para que não haja suspeita de qualquer tipo de influência no resultado.
Outra mudança no julgamento dos desfiles das escolas é que agora não haverá mais o quesito Conjunto, que acabava analisando aspectos referentes a todos os outros julgados.
“Não tinha como ter uma avaliação precisa, as notas eram muito subjetivas e penalizavam as escolas duas vezes”, explica Eduardo. A decisão da Lienca, em retirar este quesito da avaliação no Carnaval de Campo Grande, foi tomada a exemplo de outras cidades, como o Rio de Janeiro.
Na edição passada, também houve escolas prejudicadas por falhas no sistema de som, durante o desfile. Para evitar que o problema se repita, Eduardo solicitou uma estrutura melhor, que será fornecida pelo município.
Tanto a prefeitura quanto o Estado ainda não oficializaram o repasse financeiro para ajudar as escolas neste ano. Mas em princípio, ficou garantido, em reuniões com a Lienca, o repasse, no mínimo, do mesmo valor do ano passado: R$ 160 mil do município e R$ 180 mil do Estado.
Desfile
A Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande definiu os dias 16 e 17 de fevereiro para a realização dos desfiles. A ordem das dez escolas de samba que entrarão na avenida foi feita por sorteio (confira acima).
Serão sete escolas no grupo principal. E, ao contrário de 2014, neste ano, duas agremiações serão rebaixadas para o grupo de acesso, enquanto que uma sobe. “A proposta é deixar o grupo especial com menos escolas, porém com um desfile mais qualificado”, esclarece Eduardo Souza.
Os dois dias de desfiles começam às 19h, e serão no mesmo local, a Avenida Alfredo Scaff, próximo à Praça do Papa, na região do bairro Santo Amaro.

Novo endereço
Os foliões acostumados a participar do carnaval na Rua Fernando Corrêa da Costa podem ter uma novidade para este ano, em Campo Grande. A prefeitura quer levar os shows e os blocos para a Praça do Papa, na região do Santo Amaro, onde já acontece o desfile das escolas de samba.
Segundo Valdir Gomes, encarregado pela prefeitura da realização do carnaval, o assunto será definido hoje, em reunião com as partes interessadas.
A ideia surgiu, após a medida de contenção de custos tomada pelo município, inclusive na pasta da Cultura. “Ficaria muito alto manter duas estruturas no Carnaval, com a montagem de banheiros e barracas”, ressalta Valdir.
Praça do Papa pode receber shows e blocos neste ano (Foto: Álvaro Rezende)
Além disso, segundo ele, a vantagem é que as pessoas poderiam assistir aos desfiles e ficar para os shows, a partir da meia-noite. “Isso possibilitaria um melhor atendimento à população”.
Com a mudança do local dos shows, a praça deve receber um número ainda maior de foliões. Só com os desfiles, a praça recebe um público anual de algo em torno de 40 mil pessoas.
Na Fernando Corrêa, a média é um pouco maior. Em 2014, foram mais de 50 mil foliões durante os quatro dias de shows. “Com certeza, vamos no mínimo dobrar o número de público, que iria à praça apenas para acompanhar os desfiles”.
A falta de dinheiro no município atrapalhou até mesmo a organização do Carnaval deste ano. A menos de um mês da folia, Valdir Gomes corre contra o tempo para fechar a grade de programação dos shows.
Uma coisa é certa: neste ano, as atrações que farão animação da festa continuam sendo apenas regionais. “A ideia é economizar e também valorizar nossos artistas de Campo Grande”, adianta Gomes.