Mesmo com câmeras de segurança nos veículos, todos os dias uma pessoa é furtada dentro dos ônibus de transporte coletivo em Campo Grande. A história é padrão: ônibus superlotados, abarrotados de gente; a vítima tem a bolsa ou mochila violada e só percebe o furto do celular ou da carteira quando desce do veículo. Só no mês de março foram registrados quinze boletins de ocorrência em treze dias na Polícia Civil relatando casos do tipo. Os usuários reclamam principalmente das linhas que ligam os terminais e pedem mais veículos nos horários de pico. O grupo de empresas que administra o transporte público afirma que aumentar a frota não resolve a superlotação.
Ontem, o Consórcio Guaicurus, que opera o sistema de transporte coletivo de Campo Grande, informou que os furtos dentros dos veículos é um problema da Polícia Civil. As empresas não realizam qualquer monitoramento sobre a ocorrência de crimes dentro dos ônibus, somente, os roubo a motoristas, que zeraram, depois que as empresas, com a implantação dos cartões, extinguiram o foco dos assaltantes: os cobradores.
Quem precisa utilizar os ônibus diariamente conhece bem o drama do aperto nas linhas 070, 085, 087 e 061. Os veículos transitam lotados todos os dias, mas tem um aumento de mais de 120% nos horários de pico, quando coincide com a entrada e saída dos alunos nas escolas e universidades. As mulheres é quem mais tem sido vítimas do descaso: são 93% das ocorrências de furto dentro dos coletivos com bolsas cortadas, ou ainda pelo abuso sexual, as ‘mãos-bobas’ em meio ao empurra-empurra da superlotação.
(*) A reportagem de, Lairtes Chaves, está na edição de hoje do Jornal Correio do Estado.