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Catadores de lixo podem aproveitar resíduos de prédios públicos de Brasília

Catadores de lixo podem aproveitar resíduos de prédios públicos de Brasília

Redação

14/03/2015 - 17h00
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Cercada por papéis e materiais plásticos de todos os tipos, Edvania Barbosa separa os resíduos descartados em diversos prédios de Brasília para reciclagem. Ela é uma das pessoas que poderão ser beneficiadas com uma medidada adotada esta semana pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), que lançou chamada pública para selecionar quatro entidades para fazer o trabalho em prédios do ministério e de outros órgãos em Brasília, por pelo menos seis meses.

O edital é regulado por um decreto de 2006, estabelecendo que a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos da administração federal devem ser destinados às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis. Catadora há cinco anos, Edvania sustenta sozinha os quatro filhos com o dinheiro que ganha no trabalho de triagem do lixo.

“As pessoas jogam muita coisa fora. Para uns isso não vale nada, mas para nós é o sustento da família. E ainda estou cuidando do meio ambiente, do futuro dos meus filhos e netos”, diz a catadora.  Edvania e outras 15 pessoas fazem parte da cooperativa de catadores Renascer. A entidade recolhe lixo descartado em locais como Câmara dos Deputados, ministérios e prédios privados, leva para um espaço a aproximadamente 30 quilômetros do centro de Brasília, na região administrativa Sobradinho, e separa o material.

“Isso é justamente para trazer um impacto de geração de renda, uma vez que o governo federal tem um volume muito grande de produção de material e no mercado da reciclagem o papel possui alto valor agregado”, diz Sílvia Gonçalves, responsável pelo projeto no MDS sobre coleta do lixo para reciclagem.

Os documentos devem ser entregues até 20 de março. Para participar deste e de outros processos seletivos semelhantes, é preciso que as associações ou cooperativas sejam formadas exclusivamente por trabalhadores que tenham a catação como única fonte de renda. Também devem ser entidades sem fins lucrativos, que tenham infraestrutura para realizar a triagem e a classificação dos resíduos descartados.

O presidente da cooperativa Renascer, Bernardino Bispo da Silva, que já participou do projeto no MDS e vai tentar mais uma vez trabalhar com o ministério, diz que a vida de todos os cooperados mudou, depois que eles se juntaram e deixaram de procurar lixo na rua, para separar os resíduos de prédios públicos e privados de Brasília.

“A gente pega o lixo em vários prédios, separa e revende o que é possível para uma empresa de reciclagem. Todo o dinheiro fruto do nosso trabalho é dividido igualmente entre os cooperados, que sustentam suas famílias com esse trabalho”, explica Silva.

Fábio de Jesus Silva, também integrante da cooperativa Renascer, entretanto, cobra mais respeito com os catadores. “Todo mundo sabe o que é coleta seletiva, mas ninguém separa o lixo - uma coisa tão fácil. Misturam orgânico com papel, jogam vidro quebrado no meio do material para reciclagem. É uma falta de respeito que às vezes entristece. Mas tenho orgulho do meu trabalho”, afirma.

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