Cidades

Vangardist

Revista alemã imprime edição com sangue de pessoas com HIV

Revista alemã imprime edição com sangue de pessoas com HIV

Redação

11/05/2015 - 05h00

Quando Wyndham Meadque ouviu a proposta de doar sangue para a impressão de uma revista, ele achou que era uma ideia maluca.

Mas pensou e acabou concordando.

Agora, 3 mil cópias da revista masculina alemã Vangardist foram impressas usando tinta misturada com o sangue de Wyndham e outras duas pessoas com HIV.

O objetivo da campanha é quebrar o estigma sobre HIV e Aids.

"Nunca tinha ouvida falar sobre isso. Não conseguir parar de pensar nessa coisa de vampiro que está rolando em filmes e na cultura pop agora", disse Wyndham ao Newsbeat, da BBC.

Mas o estrategista digital de 26 anos, que é americano mas mora em Berlim, topou participar da iniciativa porque achou que poderia "fazer a diferença".

A agência de publicidade Saatchi & Saatchi, que fez a campanha para a revista Vangardist, disse que o sangue foi esterilizado para desativar o vírus antes que fosse misturado à tinta de impressão.

Doação
Wyndham está acostumado a tirar sangue - ele precisa fazer isso todas as vezes que faz um check-up médico, a cada três meses.

Mas doar sangue para a revista foi um "momento forte".

"Sentei na maca e foi totalmente diferente das outras vezes", afirmou Wyndham. "Eu estava tirando sangue para a impressão de uma revista que seria distribuída para milhares de pessoas e se tornar algo muito maior", afirma.

Todas as 86 páginas da revista foram impressas com a tinta.

A edição limitada começou a ser vendida esta semana na Áustria, Alemanha e Suíça.

"Fiquei orgulhoso em saber que, juntos, criamos algo bonito e que, espero, possa servir para algo bom", diz Wyndham.

"Espero que faça o máximo de pessoas falarem, pensarem e lerem sobre HIV e o que significa viver com HIV em 2015. Então as pessoas poderão ver que somos como qualquer outra pessoa."

Choque
Wyndham disse que foi um "grande choque" quando ele foi diagnosticado com HIV, em outubro de 2012.

"Eu não esperava nem um pouco. Sou o tipo de pessoa que achava que estava sendo muito cuidadoso. Achava que eu era parte de um grupo privilegiado de homens gays jovens que não pegam mais HIV."

"Muitas coisas pequenas mudaram. Tomo remédios todos os dias, tenho que ir ao médico a cada três meses, preciso ter mecanismos para contar às pessoas que sou soropositivo antes de fazer sexo com elas, preciso respeitar quando as pessoas ficam histéricas ou quando reagem de forma ruim."

"Contar minha história ajuda a superar meu diagnóstico"

Mas ele diz que isso o ajudou a "viver de forma mais positiva e feliz" do que antes.

Wyndham afirma que falar sobre HIV é uma forma de resolver o estigma.

"Acho que o estigma vem da falta de compreensão e conhecimento sobre o HIV. Para mim, devemos começar a remover esse estigma."

"Acreditamos que, como uma revista sobre estilo de vida, é nossa responsabilidade discutir os assunto que moldam a sociedade hoje em dia", diz Julian Wiehl, publisher e CEO da Vangardist.

"Isso nos pareceu um assunto muito importante, que deveria ser abordado não só editorialmente, mas também em uma forma de comunicação mais ampla."

Brasil
A publicação da revista ocorre ao mesmo tempo em que um ONG brasileira lançou uma campanha com "cartazes HIV-positivos".

Em cada cartaz há uma gota de sangue de um paciente soropositivo.

A ONG GIV – Grupo de Incentivo à Vida - espalhou cerca de 300 cartazes por São Paulo; o objetivo é "mostrar que qualquer pessoa pode conviver normalmente com alguém que é HIV positivo".

De acordo com a ONG, o cartaz é seguro, já que o HIV não sobrevive mais de uma hora fora do corpo humano.

O que é HIV?
HIV significa vírus da imunodeficiência humana (na sigla em inglês). O vírus ataca o sistema imunológico e prejudica a capacidade de uma pessoa de combater infecções e doenças.

Não há cura para o HIV, mas há tratamentos que permitem que a maioria das pessoas infectadas vivam uma vida longa e saudável.

O Ministério da Saúde estima que, no Brasil ,734 mil pessoas vivam com HIV. Em todo o mundo, são cerca de 35 milhões.

Esta reportagem foi feita pelo BBC Newsbeat. Você pode seguir o @BBCNewsbeaton no Twitter, BBCNewsbeat no Instagram, Radio1Newsbeat no YouTube e BBC_Newsbeat no Snapchat.

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