Criado há mais de cinco anos, o projeto de revitalização do centro de Campo Grande, o Reviva Centro, corre o risco de ter o prazo para início das obras novamente adiado. Isso porque está em tramitação há duas semanas na Câmara o projeto de lei que prevê a contratação de empréstimo no valor de US$ 56 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Não há previsão de quando o projeto será votado e, com isso, a revitalização segue emperrada.
Diante da situação, audiência pública é realizada na Casa de Leis na manhã desta sexta-feira (10). Só depois da aprovação do projeto pelos vereadores a prefeitura irá encaminhar a documentação para liberação dos valores à Secretaria do Tesouro Nacional.
Antes de enviar o projeto à Câmara, a prefeitura havia fixado para setembro a data para início das obras de revitalização do Centro da cidade. Agora, com apenas mais três sessões antes do recesso da Casa da Leis, a prefeitura admite que não há prazo para o início dos trabalhos.
A coordenadora da Central de Projetos da prefeitura, Catiana Sabadin, afirma que além de 14 de Julho, o projeto também prevê reordenamento das vagas de estacionamento, criando assim mais locais e até um projeto para fomento de habitação na região central da cidade.
Para o setor empresarial, o projeto é e sempre foi visto com ressalvas, isso porque a planilha de execução das obras não é clara e o maior termos dos comerciantes é que as ações demorem muito tempo para serem concluídas e os prejuízos se tornem incalculáveis.
Para o presidente do Conselho do Comércio Central, André Eduardo Moreto, muitos pontos precisam ser mais debatidos, como a reorganização do trânsito e o cumprimento da lei que prevê benefícios aos empresários que mantiveram as fachadas conforme acordo.
“A obra não pode ser tratada como fundo de quintal. Fizemos a lição de casa desde 2012, mas o comércio no centro está extremamente enfraquecido por conta de sua desconfiguração e dificuldade de comercializar itens de valor agregado maior”, disse o empresário.
O PROJETO
De tudo que precisa ser feito para que a 14 de Julho seja definitivamente revitalizada, o rebaixamento da fiação está entre as missões mais difíceis de serem executadas. Todo o processo foi estudado antes de ser colocado no papel, no entanto, o presidente do Conselho do Comércio Central alerta para os riscos que toda a alteração trará aos lojistas, principalmente os de pequeno porte.
Outra preocupação do conselheiro está ligada ao rebaixamento da fiação, durante o processo, que não deve ser rápido, os lojistas que não tiverem se preparado financeiramente para a mudança podem sofrer um duro golpe.
Apesar do temor e da incerteza dos próximos meses ou anos, a associação que representa os comerciantes concorda com a execução do Reviva Centro e vê o projeto como necessário para que o comércio passe por uma transformação, mesmo que para isso o setor sofra baixas como a falência ou desistência de alguns comerciantes. Para quem depende das vendas para sobreviver, resta a angústia da espera.
O investimento de US$ 56 milhões de dólares terá prazo para cinco anos de execução, 5 anos e meio para carência e prazo de 20 anos para amortização da dívida com juros de 1,20% ao ano.