Para construir um trecho de 4,7 quilômetros da Avenida Lúdio Coelho, a Proteco Construções, empresa do empreiteiro João Amorim, precisou de uma segunda licitação e cobrou R$ 4.957.742,31 mais caro que a proposta vencedora da primeira concorrência para pavimentar a via, feita pela Moviterra Construções e Comércio. A fraude no processo de escolha da empresa para implantar a avenida é uma das supostas ilegalidades que motivaram a operação Lama Asfáltica da Polícia Federal, desencadeada no dia 9 deste mês e que apura, entre outros crimes, corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Em dezembro de 2008, a empreiteira Moviterra venceu a concorrência aberta pela Agência Estadual de Empreendimentos (Agesul) ao propor realizar a obra por R$ 11.777.827,36, valor menor que os R$ 12.018.960,23, verba federal que estava disponível para construção da nova via, que interligaria a Avenida Duque de Caxias e a Rua Antônio Bandeira. Ela foi contratada em janeiro do ano seguinte e, em maio de 2009, desistiu da obra.
Uma nova licitação foi aberta menos de um mês depois da desistência da Moviterra e, a mesma empreiteira voltou ao empreendimento, desta vez, associada à Proteco Construções, por meio do Consórcio Lagoa. Juntas, elas cobraram um preço bem maior: R$ 16.735.569,35. E, antes mesmo do fim de 2009, a Moviterra desistiu da obra e deixou a Proteco sozinha para tocá-la.
*A reportagem, de Eduardo Miranda, está na edição de hoje do Jornal Correio do Estado.