A cada “beep” do WhatsApp eles lembram que os “laços” permanecem estreitos, apesar dos limites geográficos. No Dia Internacional da Amizade, celebrado nesta segunda-feira (20), jovens que estão distantes dos amigos mais íntimos contam como as redes sociais amenizam a saudade e fazem com que o sentimento de união persista.
“Sem as mídias sociais, nossa amizade seria resumida a uns três encontros por ano e algumas cartas individuais. Mas na internet essa troca pode ser diária e em grupo”, declara a fotógrafa Daniela Sala Zanetti, 22 anos, que encontrou no aplicativo de troca de mensagens meio de manter contato com Bruno Stefanello, Emanuelle Bertoletti, Gabriela Rodrigues, Jean Lucas Lipi e Júlia Copatti , ou os “melhores amigos”, como ela mesma diz.
Eles se conheceram em 2008, quando cursavam o Ensino Médio no Rio Grande do Sul e compartilhavam, além da preocupação em tirar as melhores notas da sala, o gosto por partidas de truco, uno e canastra. Em 2010, ocorreu o primeiro “desfalque”do grupo, quando Emanuelle se matriculou em cursinho pré-vestibular em Santa Maria (RS). Em 2011, foi a vez de Bruno dar início a graduação em outro município.
Por fim, Daniela deixou aquele estado e se mudou para Mato Grosso do Sul, o que ocorreu em outubro de 2012. “O whats e as redes sociais não deixavam os que foram morar em outro lugar ficarem com saudades. A gente sempre participava, nem que fosse com uma foto ou uma brincadeira”, relembra Daniela.
“É como se pudéssemos ir matando as saudades aos poucos. Nada substitui o contato físico, mas acredito que nossa geração consegue sentir mais emoções através da rede que as gerações passadas”, completa Jean Lucas.
A internet também foi o meio escolhido para as amigas Juliane Lopes é Letícia Ávila não perderem o contato. Elas se conheceram quando cursavam a 7ª série em Rondonópolis (MT), mas tiveram que se separar, quando Letícia foi aprovada no curso de jornalismo da UFMS em Campo Grande e Juliane deu início a um intercâmbio no Canadá, onde estuda Engenharia Mecânica.

“Eu diria que a gente passou mais por uma adaptação. Por causa da rotina mais pesada da faculdade e principalmente por causa da distância, não dá mais pra ir no cinema ou comer uma pizza juntas”, declara Juliane, afirmando que hoje em dia as duas conversam ao menos uma vez por semana. “Eu não teria crédito pra ligar pra Ju no Canadá e muito menos mandar cartas que demorariam pra chegar. É uma forma de amenizar a saudade”, completa Letícia.
E quando de trata de rede social, o contato não ocorre exclusivamente com a troca de mensagens. As curtidas e compartilhamentos também passam a sensação de proximidade conforme declara a também universitária Raquel de Souza, distante da amiga Rayane Azambuja desde 2013. “Acho que a relação se esfriou no sentido de que nos falamos menos, porque nossa convivência era diária , mas toda vez que ela vem pra cá nós nos encontramos, e já nos encontramos lá em Campinas também. E quando a gente se vê não é nada diferente. A gente conversa e ri como era antes”, conta Raquel ao se lembrar dos primeiros meses logo após a mudança da amiga.
(Da esquerda para direita: Rayane e Raquel)
Acostumada a distância, Raquel afirma que as redes sociais são essenciais na manutenção da amizade “Nós não só conversamos - o que era muito complicado só com o telefone, porque custava muito caro - como acompanhamos a vida uma da outra, ficamos felizes com as conquistas, com as viagens e tudo mais. Tudo isso é muito legal e não seria possível sem o Facebook ou sem o Instagram”.