Diante dos desdobramentos da Operação Lama Asfáltica, coordenada pela Polícia Federal, o Ministério Público Estadual (MPE) recomenda que a prefeitura suspenda, nos próximos 30 dias, todos os contratos mantidos entre o Executivo e a empreiteira Proteco Construções e a empresa Itel Informática. As duas empresas são dos investigados João Krampe Amorim e João Barid, respectivamente.
A recomendação será publicada na edição da próxima segunda-feira (27) do MPE, mas já está disponível no site do órgão.
Como justificativa da recomendação, o promotor Alexandre Pinto Capiberibe Saldanha, da 30ª Promotoria de Justiça, afirma que está claro que as empresas tanto de Amorim quanto de Baird operam esquema de desvio de dinheiro público.
A sociedade entre os empresários e também a sócia de Amorim, Elza Cristina Araújo dos Santos, que supostamente mantêm vínculos com empresa holandesa, também motivou a recomendação.
No texto, o promotor recomenda que o prefeito Gilmar Olarte (PP) suspenda os contratos ainda em vigor em no máxima 30 dias.
Se nenhuma atitude for tomada, o MPE afirma que providências judiciais podem ser tomadas.
CONTRATOS
Empreiteiros supostamente envolvidos no esquema de fraudes em licitações públicas, investigados na operação Lama Asfáltica, conduzida pela Polícia Federal, firmaram nos últimos três anos contratos com a prefeitura de Campo Grande que somam em torno de R$ 3,3 bilhões.
Parte desta quantia, em torno de meio bilhão de reais, já caiu nos bolsos dos empreiteiros, segundo pesquisa apurada no diário oficial do município.
No fim do ano passado, a prefeitura informou que o gasto mensal com a limpeza de avenidas, o programa tapa-buraco, roçada e revestimento primário, como cascalhamento de ruas e estradas no entornou da cidade, custavam ao município R$ 21 milhões.
Desta quantia, 69,9% eram destinados às empreiteiras ligadas ao empreiteiro João Amorim.
Ou seja, 13 milhões iam para as contas da Proteco e LD Construções, de Luciano Dolzan, genro de Amorim.
Isso quer dizer que a família do dono da Proteco arrecadou no ano passado em torno de R$ 150 milhões prestando serviço para a prefeitura de Campo Grande.