A Prefeitura de Fátima do Sul, distante 237 km de Campo Grande, depositou dinheiro para compra do remédio canabidiol para tratamento de uma menina de 8 anos, que tem Síndrome de West – doença que provoca convulsões e crises epiléticas. Fabrício Silveira Pinto, 42 anos, pai da menina, conseguiu uma liminar na Justiça em 17 de abril deste ano, que obrigava o Estado e a Prefeitura do município a fornecerem o medicamento.
O Portal Correio do Estado, falou com Fabrício há três semanas, quando ele aguardava pelo medicamento. Falamos também com o procurador de Fátima do Sul, Fábio Mendes, que na ocasião disse acreditar que dentro de 15 dias o medicamento estivesse no Estado.
Três semanas depois, a menina de oito anos ainda não recebeu o medicamento e tem mostrado piora no quadro clínico. A família da criança está desesperada, já que a doença da menina requer cuidados especiais e apenas este medicamento poderia ajudá-la de forma ideal.
Segundo o pai da menina, o Estado e a prefeitura de Fátima do Sul entraram com requerimento para não pagar o medicamento, porém o pedido foi negado na justiça. Na terça-feira (28), foi depositado em juízo o valor do tratamento. Porém, o pai da menina explica que não consegue comprar o remédio como pessoa física, pois há exigências documentais como uma ordem judicial que exige que a compra do medicamento seja feita pelo Estado e a Prefeitura.
Questionamos mais uma vez o procurador Fábio Mendes para saber o motivo da demora em receber o remédio, já que o fabricante do medicamento, nos EUA, garante a entrega do produto num prazo máximo de 10 dias, após a aquisição. Fábio nos respondeu: “A liminar da justiça que existia era em cumprimento a compra do remédio com 23% de canabidiol. Porém ao longo de todo o processo, não conseguimos encontrar no Brasil e nem nos EUA essa porcentagem. No estado do Rio de Janeiro eles conseguem importar o medicamento apenas com 18%. Diante disso, no dia 25 deste mês, o médico da menina mudou o pedido alterando a solicitação para compra do remédio com 15 a 23% da substância, tornando assim a compra do remédio possível. Para agilizar para a família, combinamos com a advogada de Fabrício que a Prefeitura faria o deposito do valor do tratamento em juízo, que foi feito hoje (29). Agora a advogada e a família podem sacar o valor e comprar o remédio, pois já possuem todos os documentos necessários para importação e o dinheiro para compra”.
Fabrício porém, ainda não está aliviado, já que agora terá que conseguir comprar o remédio por conta própria. “Só vou ficar tranquilo quando estiver com o remédio em mãos”.