Cidades

HISTÓRICO

Catalunha inicia votação que pode levar região a se separar da Espanha

A apuração começa às 20h e os resultados deverão ser conhecidos às 22h30

Redação

27/09/2015 - 11h30
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Os catalães votam neste domingo em eleições históricas, que decidirão não apenas a composição do Parlamento e o novo governo, mas o futuro do projeto de separação da Espanha.

As urnas foram abertas às 9h (4h em Brasília) já com fila em muitos locais. Às 13h, foi registrado um recorde parcial de comparecimento. Haviam votado 34,74% dos cerca de 5,5 milhões de eleitores, cinco pontos percentuais mais que os 29,43% das eleições de 2012, no mesmo horário.

A apuração começa às 20h e os resultados deverão ser conhecidos às 22h30.

"É um momento histórico. Fiquei arrepiada na hora de votar. Queremos que nos deixem decidir e seguir nosso caminho, somos diferentes do resto da Espanha", disse a professora aposentada Mercé Gratacos, 74, que votou em Pedralves, um dos bairros mais ricos de Barcelona, na parte alta da cidade.

O governador Artur Mas, do partido de centro-direita CDC (Convergência Democrática da Catalunha), antecipou as eleições, que estavam previstas para 2016, e jogou todas as fichas em dar-lhes um caráter plebiscitário: "sim" ou "não" à independência da Catalunha.

Tentativas anteriores de realização de plebiscito foram barradas pelo Tribunal Constitucional e pelo governo federal espanhol.

Mas se coligou com a ERC (Esquerda Republicana da Catalunha) para formar o "Juntos pelo Sim" e anunciou que abrirá um processo unilateral de independência caso obtenha a maioria absoluta das 135 cadeiras do Parlamento.

Embora legalmente a eleição não seja plebiscitária, Mas conseguiu transferir o foco da campanha para a discussão da independência. Evitou, assim, o debate sobre sua administração, marcada por cortes nos gastos sociais, especialmente nas áreas de saúde e educação.

Belviche, bairro operário da cidade-dormitório L'Hospitalet, na periferia de Barcelona, é uma das áreas mais afetadas pelos cortes e pelo desemprego. Ali, o entusiasmo pela independência é menos palpável que nas zonas afluentes. Em lugar da bandeira "estelada" (estandarte do independentismo), onipresente nas janelas e sacadas do Centro de Barcelona, notam-se muitas bandeiras da Espanha.

"Há coisas bem mais importantes com que se preocupar, como o desemprego. Precisamos trabalhar, precisamos ajudar quem está em dificuldade antes de pensar em independência", disse Mercedes Malla, 55, que trabalha como faxineira.

As opiniões estão divididas. Muitos catalães acreditam que o caminho para melhorar a situação econômica é separar-se da Espanha. A taxa de desemprego na Catalunha é de 19%, abaixo do índice nacional, que é de 22%.

Os independentistas alegam que a Catalunha paga mais em impostos ao governo central do que recebe de volta em serviços e investimentos.

"Não queremos mais ter essa sensação de estarmos sendo utilizados, explorados. Estou convencido de que haverá uma melhora da atividade econômica e do mercado de trabalho se sairmos da Espanha", disse o estudante Victor Agoiz, 28.

"Se a independência ganhar, vamos ter mais ferrovias, mais rodovias, mais autonomia para decidir nossos gastos", disse o aposentado Bartolomeu Pausas, 79, ao votar no Colégio Cervantes, no Bairro Gótico, no centro histórico de Barcelona.

No mesmo local, a cubana naturalizada espanhola Lenia Perez, 48, votou contra a independência, incomodada com o ambiente nacionalista e a proliferação de bandeiras.

"Já vi essa obsessão com a bandeira em Cuba, e não gostei. Não advogo por bandeiras, mas por valores", disse Perez, que trabalha com design gráfico.

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