Quadrilha especializada em furtar estrangeiros que vivem no Brasil usavam coreano para facilitar o acesso deles a imóveis de vítimas, cuja identificação era feita pela internet. Em Campo Grande, agiram em dois lugares, ambos em apartamentos na Rua Barão do Rio Branco, no Centro, e levaram cerca de R$ 100 mil.
O grupo era formado por cinco integrantes, mas, apenas, dois deles foram presos. Tratam-se de Lucas Fidelis de Paula Souza e Felipe Diego Hesponhol, ambos de 22 anos. Este último foi apresentado à imprensa na manhã desta quinta-feira (22), na Delegacia Especializada na Repressão a Roubos e Furtos (Derf).
De acordo com informações do delegado responsável pelo inquérito policial, Luiz Alberto Ojeda, as prisões em flagrante ocorreram na madrugada de sexta-feira (16), na rodovia Castelo Branco 280, na cidade de Avaí, em São Paulo. Os criminosos retornavam para a capital paulista. A dupla seguia em um ônibus de viagem e foi flagrada com os cerca de R$ 100 mil provenientes dos furtos, além de joias que tinham nomes de vítimas.
“Fomos informados pela polícia de Avaí sobre as prisões e que tinham sido encontrados objetos levados de vítimas aqui da cidade. Lucas ficou por lá porque tinha mandando de prisão em aberto, por conta de outros crimes no estado. Felipe foi transferido aqui para a cidade para indiciamento”, pontuou Ojeda.
FACILITAÇÃO
Ainda conforme o delegado, os bandidos usaram um coreano para facilitar a entrada deles nas casas das vítimas, as quais eram encontradas por meio de sites, na internet. Um delas atua no comércio de semijoias e a outra no de alimentos.
“Consultavam dados de chineses que têm comércios em Campo Grande em sites e, a partir daí, filtravam pessoas de seus relacionamentos e família. Identificavam o endereço e agiam usando um coreano que se apresentava na portaria como parente das vítimas”, disse o delegado, acrescentando que as ações ocorreram em apartamentos e a distração dos porteiros favoreceu às ações criminosas.
Ojeda também declarou que outros três homens agiam em conjunto com a dupla presa. Entre eles, o coreano que retornou para a capital de São Paulo com os comparsas em carro, por isso não foram presos, mas são procurados. "Felipe e Lucas preferiram voltar de ônibus porque acharam que seria mais difícil revista em fiscalização policial", explicou.
Há registros de crimes de furtos a casas de coreanos e chineses também em São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. “O público alvo é este porque sabem que muitos estão irregulares no Brasil, por isso guardam grande quantia em casa e se acabam como vítimas não acionam a polícia. Felipe disse que migraram para outras regiões porque já tinham saturado o estado paulista”, comentou a autoridade policial.
De acordo com apurado pelo delegado, o bando agia havia pelo menos dois anos e não há estimativa de quanto conseguiram arrecadar com furtos, neste período.