O governo do Estado divulgou nesta quarta-feira (11) a formação de 190 policiais civis, mas esse número está 70% abaixo do que seria necessário para completar o efetivo da instituição. Segundo cálculos do Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul, o atual deficit é de 600 homens.
Esse novo efetivo será distribuído para o interior de Mato Grosso do Sul. Campo Grande não deve receber policiais dessa nova turma, segundo apurou a reportagem. A Capital pode aumentar seu quadro com a remoção de investigadores lotados em delegacias de outras cidades.
Foram formados 166 investigadores e 24 peritos papiloscopistas.
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de MS (Sinpol-MS), Jean Carlo Miranda, ponderou que os novos policiais ajudam a renovar o "sangue" da corporação. Contudo não é a solução para melhorar a estrutura da Segurança Pública. "Ainda está aquém. Há muito tempo ficamos sem concurso. O deficit que avaliamos é de 600 policiais, mas de qualquer jeito algo está sendo feito."
De acordo com o Sinpol-MS, entre os municípios mais carentes de policiais, estão Três Lagoas, Paranaíba, Corumbá, Bataguassu e Ponta Porã.
O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Sílvio Maluf, esteve presente na formatura, que aconteceu no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, e pediu aos novos policiais dedicação. "Nós não queremos uma polícia de governo, mas sim uma polícia de sociedade e que os senhores possam dar a esta sociedade o que ela precisa, segurança pública de qualidade e bom tratamento", discursou.
De setembro até hoje, houve o aumento de 1.614 novos policiais civis, militares e bombeiros. O governo do Estado ainda promete novos concursos públicos para as Unidades Educacionais de Internação (Uneis) e para a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul (Agepen).
DESISTÊNCIA
Contratar novos policias não é a única política que o governo precisa se atentar. Levantamento do Sinpol-MS indicou que entre 10% e 15% de recém formados acabam pedindo exoneração no primeiro ano de trabalho.
"O salário é desestimulante. Muitos não ficam na polícia. A pessoa é enviada para o interior, longe da família e com salário que não compensa. Outros usam o concurso de trampolim para outra carreira pública. Mais que efetivo, é preciso valorização", afirmou Jean Carlo Miranda, presidente do sindicato.