Cidades

BARRAGENS

Acidente liberou metais tóxicos que já estavam no fundo do rio, diz Vale

Chumbo, arsênio, cromo e níquel foram encontrados em alguns pontos do Rio Doce

Redação

28/11/2015 - 12h29
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Metais como chumbo, arsênio, cromo e níquel foram encontrados em alguns pontos do Rio Doce, logo após a passagem da onda de rejeito de minério que desceu o curso d´água com o rompimento da barragem do Fundão, no último dia 5 no município mineiro de Mariana. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (27), em entrevista coletiva convocada pela empresa Vale. A barragem era operada pela Samarco, uma sociedade entre a Vale e a BHP Billiton.

A diretora de Recursos Humanos, Saúde e Segurança, Sustentabilidade e Energia da Vale, Vania Somavilla, sustentou que esses elementos químicos não estariam dentro da barragem, mas nas margens e no fundo do rio, e acabaram sendo misturados à água pela passagem do volume de lama.

“Quando ela [barragem] se rompe, e aquilo sai lavando as margens, ela pode ter recolhido algum tipo de material que estava presente nas margens, de origens as mais diversas. Além disso, pode ter revolvido o fundo e efetivamente, em alguns pontos, foram detectados chumbo e arsênio ao longo do rio”, disse Vania.

Ela citou laudos do Instituto Mineiro de Gestão das Águas, que também detectou cromo e níquel. “A ressuspensão do material de fundo, ocasionada pelo deslocamento da pluma do rejeito, pode ter disponibilizado para a água esse material depositado ao longo de centenas de anos no leito do rio”, disse Vania, citando relatório técnico. Ela ressaltou que esses materiais não se dissolvem na água, o que não teria gerado contaminação.

O diretor-presidente da Vale, Murilo Ferreira, que visitou o local da tragédia, classificou de doloroso o episódio. “É com a alma triste e consternada que estamos aqui, com nove mortos e dez desaparecidos confirmados oficialmente, e muito preocupados, porque existem 5.200 pessoas que não sabem a respeito de seu futuro: funcionários diretos e indiretos da Samarco. Para mim, é extremamente doloroso fazer parte de um momento em que, em vez de preservar a vida, que é o primeiro valor da Vale, acontece uma circunstância dessas”, disse Ferreira.

Durante a coletiva, foi anunciada a criação de um fundo voluntário e sem fins lucrativos, entre a Vale, a BHP e a Samarco, para recuperar o Rio Doce e seus afluentes. Entre os objetivos, estão a recomposição da mata ciliar e da qualidade da água e da fauna aquática.

As informações da matéria foram obtidas em um texto enviado pela assessoria da Vale e no vídeo da entrevista disponibilizado pela empresa na internet.

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