A infância da escritora ucraniana Clarice Lispector no Recife marca parte de sua obra. O amor da escritora pela cidade era tanto que ela costumava se definir como pernambucana. No entanto, a casa em que morou com a família, no bairro da Boa Vista, na região central da capital, se encontra atualmente fechada, com sinais de depredação. A Santa Casa de Misericórdia, dona do imóvel, alega falta de verbas e parceiros para a reforma.
Quem passa pela rua vê que parte do telhado caiu, o mato está crescendo pelas paredes e as portas estão lacradas com tijolos. O imóvel em que Clarice morou na infância fica na esquina da Rua do Aragão com a Travessa do Veras, ao redor da Praça Maciel Pinheiro, onde há uma estátua da escritora.
O sobrado pertence à Santa Casa do Recife há pelo menos cinquenta anos. De acordo com a superintendente de patrimônio da entidade, Rilane Dueire, o registro em cartório da casa é datado de 1913. Conseguir transformar o local em um centro cultural, como é a casa em que Manuel Bandeira morou na infância, na Rua da União, é um sonho da família da escritora e da Santa Casa.
A casa de Bandeira se tornou o ‘Espaço Pasárgada’, que abriga a Coordenadoria de Literatura da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e tem programação cultural constante.
Ao contrário da casa de Bandeira, encontrar parceiros para patrocinar o projeto de transformação do casarão onde a família Lispector morou em centro cultural é uma dificuldade que tanto os parentes quanto a Santa Casa de Misericórdia do Recife enfrentam há anos. Com isso, o local segue lacrado, apenas com uma placa na frente apontando a antiga moradora. Na praça em frente, uma estátua de Clarice reforça a lembrança, ainda que sem placa.