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Estado Islâmico sanciona lei que autoriza a retirada de órgãos de prisioneiros vivos

Estado Islâmico sanciona lei que autoriza a retirada de órgãos de prisioneiros vivos

Redação

01/01/2016 - 04h00
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O grupo terrorista Estado Islâmico sancionou uma lei que autoriza a retirada de órgãos humanos de um prisioneiro vivo para salvar a vida de um muçulmano — mesmo que seja fatal para o refém — é permitido, em uma decisão nunca antes revelada por estudiosos do grupo.

A regra, escrita em um documento de 31 de janeiro deste ano, também levantou preocupações sobre a possibilidade de o grupo estar traficando órgãos humanos.

Oficiais dos Estados Unidos disseram que a informação foi obtida por forças especiais americanas em um ataque no leste da Síria, no último mês de maio.

— A vida e os órgãos do traidor não devem ser respeitados e podem ser tirados com impunidade.

O documento está na forma de um decreto religioso do Comitê de Investigação e Fatwa do Estado islâmico — o “órgão” responsável por criar as leis do grupo.

— A remoção de órgãos essenciais para a sobrevivência do inimigo também é autorizada.

O documento não oferece qualquer prova de que o Estado Islâmico, na verdade, esteja engajado na colheita ou no tráfico de órgãos. Mas prevê sanção religiosa para fazê-lo sob severa interpretação do grupo do Islã — que é rejeitada pela maioria dos muçulmanos. Anteriormente, o Iraque acusou Estado Islâmico de colher de órgãos humanos e traficá-los para lucro.

Documentos compartilhados com aliados

Autoridades norte-americanas dizem que os registros que foram apreendidos deram ao governo dos EUA um olhar profundo sobre como o Estado Islâmico organiza, levanta fundos e codifica as leis para os seus seguidores.

O embaixador do Iraque na ONU, Mohamed Ali Alhakim, disse que os documentos devem ser examinados pelo Conselho de Segurança da ONU como prova de que Estado islâmico poderia traficar órgãos para ganhar dinheiro.

Segundo Brett McGurk, enviado especial do presidente americano Barack Obama para a Coligação Global para Combater o EI, o ataque de maio na Síria — que resultou na morte do oficial financeiro do Estado Islâmico Abu Sayyaf e na captura de sua esposa — marcou sete terabytes de dados na forma de computadores, pen drives, CDs, DVDs e papéis. Abu Sayyaf foi um militante tunisiano cujo nome verdadeiro era Fathi Ben Awn ben jildi Murad al-Tunis.

Autoridades norte-americanas anteriormente descreveram o ataque a Abu Sayyaf e alguns dos documentos apreendidos. Mas, até agora, nenhum dos documentos reais foram liberados — nem os materiais que ilustram o tráfico no Estado Islâmico.

O grupo de documentos intitulado "lições aprendidas com o Raid Abu Sayyaf" mostra como o Estado Islâmico providenciou uma justificativa legal para seus seguidores aceitarem uma série de práticas.

Por exemplo, "Fatwa Número 64", datado de 29 de janeiro de 2015, prevê normas de estupro, prescrevendo quando os homens do Estado Islâmico podem e quando não podem ter relações sexuais com escravas.

A justificativa para a colheita de órgãos faz uma analogia ao canibalismo em circunstâncias extremas — permitida anteriormente por estudiosos islâmicos.

— Um grupo de estudiosos islâmicos tinha permitido, se necessário, o assassinato do apóstata a fim de comer a sua carne, para beneficiar seu próprio corpo. 

McGurk disse que o Comitê de Investigação e a Fatwa do Estado Islâmico se reportam diretamente ao líder do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi.

Órgãos de infiéis

Autoridades norte-americanas seniores, incluindo McGurk, disseram que eles não têm sido capazes de verificar se o Estado islâmico tem extraído órgãos. 

— O documento prevê uma justificação religiosa para o aproveitamento dos órgãos do que eles chamam de infiéis.

William McCants, autor do livro "The ISIS Apocalypse", disse que a escravidão e a retirada órgãos humanos não representam interpretações islâmicas modernas.

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