Revoltados com a prisão de três policiais militares, no início da semana, policiais protestaram, na manhã desta sexta-feira (22), em frente de delegacia da Capital. Com algemas, os policiais civis e militares demonstram indignação com a decisão da Corregedoria da PM em deter e da Justiça em manter prisão dos militares.
Os policiais Larissa Melgarejo Zapatta, Ivanderson Zanardi Aguirre e Ivan Luiz da Silva estão no Presídio Militar da Capital por serem suspeitos de agredir um adolescente de 15 anos durante abordagem, na última terça-feira. A família do garoto procurou a polícia e denunciou o caso.
Nesta manhã, cerca de 15 policiais fizeram protesto em frente da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro da Capital. Com algemas em uma das mãos, os policiais permaneceram por alguns minutos com os braços erguidos, em ato de apoio aos colegas de farda.
DECISÃO
“A justiça não se faz a qualquer preço”. A frase consta na decisão do juiz David de Oliveira Gomes que manteve a prisão dos policiais militares . Ainda conforme o magistrado, “Não é possível admitir que qualquer ser humano, seja bom ou seja mal, seja submetido a violência física ou psicológica para a busca de informações de crimes.”
Mais adiante o juiz afirma: “Que curioso é o destino que coloca três autoridades policiais com elogios numa posição tão delicada como esta por terem, em tese, agredido um jovem de 15 anos de idade e, apesar de tão novo, já envolvido com tantas práticas de atos muito mais do que nocivos. Esta situação força o juiz a despir-se de todos os preconceitos e de suas admirações para enxergar não os policiais condecorados ou o adolescente infrator, mas o ser humano que este adolescente representa”.
Segundo o magistrado, o processo apenas iniciou e esta é a primeira impressão. Perguntado sobre possível receio dos demais policias de serem delatados injustamente por bandidos, o juiz disse que “não há motivos para temor dos policiais, pois não é a palavra da vítima que convence, mas as circunstâncias dos fatos em todo o seu conjunto”.
CASO
Segundo relato do pai da vítima, de 52 anos, o garoto foi levado para uma casa abandonada no bairro Silvia Regina, onde foi agredido com pedaço de madeira durante horas.
À reportagem do Portal Correio do Estado, o pai do garoto disse que por volta de 13h30min, o filho dele estava na garupa de motocicleta conduzida por um conhecido, quando receberam ordem de parada de policiais que passavam pela avenida Júlio de Castilhos.
O condutor da moto desobedeceu a ordem dos policiais, pediu para o adolescente descer e fugiu. O motivo da fuga, segundo o pai do garoto, era que o condutor da moto não tinha habilitação e o documento do veículo estava atrasado.
Segundo o relato, quando os policiais viram o adolescente, ordenaram que ele entrasse na viatura e o levaram para uma casa abandonada, onde deram início a uma sessão de tortura.
Para associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul (ACS) a prisão dos policiais foi injusta em razão de suposta falta de provas nos depoimentos.
"Até que se prove o contrário, as prisões são desestímulo aos policiais que querem trabalhar de verdade", disse o presidente da ACS, Edmar Soares da Silva.