Quatro funcionários do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) foram mantidos em cárcere privado por indígenas na aldeia Taboquinha, em Nioaque, distante 187 km de Campo grande, nessa quarta-feira (2). Os indígenas protestavam contra a falta de atendimento médico na aldeia. Os funcionários foram liberados no início da tarde desta quinta-feira (3).
De acordo com o boletim de ocorrência, a equipe do Dsei, ligada a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e composta por um engenheiro eletricista, uma engenheira civil, um biólogo e um motorista, foram a aldeia para implantar um sistema de tratamento químico de água. O processo foi avisado aos indígenas com antecedência.
Quando a equipe chegou na aldeia, quatro caciques de quatro aldeias da região estavam no local e disseram às vítimas que decidiram em conjunto que os funcionários ficariam detidos até que a Sesai designasse um médico para atender índigenas da região.
Os funcionários foram mantidos no abrigo do quadro de comando onde seria realizado o trabalho de tratamento da água e disseram que no local não havia banheiro e que indígenas faziam rondas do lado de fora para evitar que eles saíssem.
Por volta das 10h30 de hoje, os funcionários aproveitaram uma distração dos indígenas e conseguiram sair da aldeia, indo até a Delegacia de Polícia Civil, onde o boletim de ocorrência foi registrado como ameaça, sequestro e cárcere privado.
De acordo com o site Nioaque Fotos, que foi até a aldeia, os indígenas pediam um médico no local porque, desde o dia 26 de fevereiro não há atendimento médico na região. Conforme as lideranças, o médico e um dentista que atendiam a aldeia foram exonerados depois de fazer reclamações sobre as condições de trabalho, não tendo sido designado nenhum outro profissional em substituição.
O coordenador técnico do Dsei, Wanderley Guenka, informou que o órgão acionou a Polícia Federal e encaminhou uma equipe de saúde do Polo Base de Aquidauana para a aldeia Taboquinha, para tentar resolver o conflito.
O Portal Correio do Estado tentou contato com a delegada responsável pelas investigações, Joilce Silveira Ramos, para saber como está a situação, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.