Durante mais um protesto feito por catadores de materiais recicláveis em Campo Grande, nesta segunda-feira (21), o Batalhão de Choque da Polícia Militar precisou ser acionado para dispersar a manifestação. Balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio foram utilizadas e, segundo os manifestantes, uma mulher ficou ferida.
O catador Ronaldo Leão, de 30 anos, contou que eles estavam sentados, bloqueando a passagem na BR-262, quando os policiais chegaram e ordenaram que saíssem. "Ninguém tentou resistir, mas chegaram atirando tiro de borracha e bomba de efeito moral e depois vieram nos escoltando para gente ir embora", relatou.
Outro manifestante, Júnior Brian, 24, disse que são 524 catadores sem trabalho desde o fechamento do aterro sanitário. "Ficamos desamparados depois do fechamento do lixão e na UTR nossa renda diminuiu muito. Lá não tem condições para todos".
Sobre a ação dos militares, ele se limitou a dizer que "chegaram atirando" e questionou ainda o trabalho da Guarda Municipal no local. "O lixão não é patrimônio público para eles cuidarem".
Segundo Brian, as manifestações vão continuar porque "é direito deles garantir o sustento da família. Ninguém quer confusão. Só queremos trabalhar", declarou.
Depois de o Choque ter deixado o local, os manifestantes queimaram galhos de árvores e bloquearam a estrada que dá acesso à favela. O Corpo de Bombeiros foi acionado para conter o incêndio.
O comandante do Batalhão de Choque, coronel Marcos Paulo Gimenez declarou que o uso de balas e de bombas "foi necessário naquela ocasião". Ao todo, quatro viaturas e 12 militares do BPChoque participaram da ação.