Durante agenda pública nesta segunda-feira (4), o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), declarou que o tempo da “lei da mordaça” já passou, se referindo ao Projeto de Lei de autoria do vereador Paulo Siufi (PMDB) que proíbe professores de tratarem sobre gênero, política e religião em sala de aula. O projeto foi aprovado na Câmara na quinta-feira e é motivo de revolta por parte de alguns campo-grandenses.
“Não se deve fazer isso. Nós temos que abrir a mentalidade, fazer consciência cidadã e dar oportunidade para que nossos alunos tenham essa condição. Lei da mordaça é da época da ditadura”, declarou o prefeito.
Questionado se a declaração poderia ser entendida como a confirmação do veto ao projeto, Bernal se limitou a dizer que “vai receber e analisar” o documento.
O PROJETO
O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal, na última quinta-feira (31), e diz respeito aos professores que atuam com alunos do 1º a 4º ano do ensino fundamental.
Autor do projeto, Siufi defendeu a proposta alegando que os professores não devem ser intitulados ativistas políticos e sexuais. “Com esse projeto, queremos que os professores tenham isenção quanto à opção sexual, política partidária e religião de cada um”, disse, em ocasião anterior.
MANIFESTAÇÕES
Manifestação contra o projeto reuniu centenas de pessoas na Praça do Rádio no último domingo (3). Em página no Facebook, os organizadores do ato alegaram que o projeto é “absurdo, fascista e inconstitucional” e convocaram estudantes, professores e a população em geral a participarem.
Outro grupo de Pesquisa em Gênero, Sexualidade e Diferenças da UFMS, também se manifestou por meio das redes sociais com a hashtag "Ensinar é um ato político" .
Segundo o grupo, a expectativa é que com a manifestação da população o prefeito vete a lei e a Câmara mantenha o veto, já que Siufi havia dito anteriormente que mesmo se houvesse rejeição, o veto seria derrubado pela Câmara.