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Diagnosticado com câncer, governador Pezão volta a hospital no Rio

Diagnosticado com câncer, governador Pezão volta a hospital no Rio

Redação

05/04/2016 - 21h00
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O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), voltou ao hospital nesta terça-feira (5). A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do governo do Estado do Rio, que não informou, contudo, o motivo da visita.

Não foi esclarecido ainda se Pezão foi ao hospital para um exame de rotina ou se para ser novamente internado. O governador passou 19 dias no hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, zona sul, para o diagnóstico e início do tratamento de um câncer.

Pezão foi diagnosticado com um linfoma chamado "não-Hodgkin", que ataca o sistema linfático. O governador, que recebeu alta do hospital no último dia 31, está fazendo tratamento com sessões de quimioterapia.

Pezão tirou licença de 30 dias do cargo. Interinamente assumiu seu vice, Francisco Dornelles (PP).

A doença do governador ocorre em um momento de crise nas finanças do Estado do Rio, com atraso de pagamento de servidores e fornecedores e greves no funcionalismo.

Vários motivos explicam a crise nas contas públicas: queda do preço do barril de petróleo -o Estado do Rio é o maior produtor de do país-, Lava Jato e paralisação das obras da Petrobras, retração do PIB e incentivos fiscais no passado a empreendimentos que não deslancharam.

Antes do diagnóstico, Pezão convivia com o recrudescimento da violência no Estado, com aumento dos índices de criminalidade e embates cada vez mais frequentes entre traficantes de drogas.

Em meio ao agravamento da crise, o governador tinha a tarefa de tocar as obras do Estado do Rio voltadas para as Olimpíadas: a Linha 4 do metrô -que liga zona sul à Barra da Tijuca, zona oeste- e a despoluição da Baía de Guanabara. Embora prometidas, ambas não estarão 100% concluídas em agosto, quando serão realizados os Jogos Olímpicos na capital Fluminense.

CRISE POLÍTICA

Antes da licença, Pezão era um dos poucos governadores que se declarava um aliado incondicional da presidente Dilma Rousseff, contrariando a posição de seu partido no Rio.

O presidente da Alerj e presidente do PMDB no Rio, Jorge Picciani, por exemplo, oscilou no apoio à presidente. Inicialmente, durante as eleições em que Dilma saiu vitoriosa, Picciani apoiou Aécio Neves (PSDB).

Em dezembro do ano passado, trocou de lado e passou a apoiá-la -apoio também dado pelo seu filho, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), líder do partido na Câmara dos Deputados.

O apoio do parlamentar contrariou os interesses do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que manobrou para retirá-lo da liderança, envolvendo o cacique em um esforço pessoal para reconduzir seu filho ao posto -o que fez crescer por associação seu apoio à presidente.

Em março deste ano, porém, enquanto Pezão estava internado, Picciani trocou de lado novamente, ao votar a favor do rompimento do PMDB com o PT. Ele disse na ocasião que a presidente tinha perdido a capacidade de criar consenso.

No último dia 31, quando recebeu alta do hospital, Pezão afirmou que o PMDB "ainda está no governo", se referindo aos ministros que se mantiveram no cargo após o rompimento. Questionado na ocasião, disse que mantinha o apoio à presidente "sempre".

O governador interino, Francisco Dornelles (PP), segue a mesma prática de Pezão. Primo de Aécio Neves, Dornelles afirmou que o "impeachment pode tornar o país ingovernável". Ele afirmou, em entrevista ao jornal O Dia no final de março, que não considera as pedaladas fiscais motivos para o impeachment da presidente.

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