Guerra aos sindicatos foi declarada pelo prefeito Alcides Bernal (PP), ao considerar que negociar com comissões de servidores tem surtido mais efeito. Isso depois da Câmara Municipal de Campo Grande rejeitar, a pedido de sindicalistas, reajuste de 9,57%.
“Me aparece um outro presidente se apresentando como dono dos servidores, mas quero tratar as coisas diretamente com os trabalhadores”, declarou Bernal, nesta segunda-feira (11), durante encontro com servidores.
Desde outubro do ano passado, agentes comunitários de saúde (ACS), combate a endemias (ACE) e de saúde pública (ASP) negociam por meio de comissão reajuste em salários, produtividade e vale alimentação. O pleito, no caso da alimentação, consiste em garantir R$ 350 aos 2.074 servidores das três categorias.
Há, no entanto, indicativo de greve deflagrado pelo Sindicato dos Servidores de Campo Grande (Sisem). Representante da comissão composta por 30 agentes, Mario Marcio Oliva rechaça a adesão e desmente o sindicato, uma vez que considera ser “inviável em plena epidemia da dengue deixar a população na mão”.
Enquanto a administração e alguns sindicatos não se entendem, Bernal demanda o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sobre a possibilidade de reenviar índice de 9,57% aos vereadores. O prefeito já havia quase atropelado o prazo legal, que limita concessão de reajuste a 180 dias antes das eleições, ao enviar a proposta com pouco tempo de análise no Legislativo.
Foi na Casa de Leis que o projeto naufragou, na semana passada, diante de pressão do Sisem e do Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP), que não concordavam com o índice apresentado por Bernal. Usando de “reuniões de trabalho” com os servidores, o prefeito agora faz questão de transferir a culpa. “Não vou cair em cilada. Os vereadores que rejeitaram que vão ao Ministério Público e aprovem essa lei”, diz o progressista.