Ato de protesto que alerta sobre a violência contra a mulher reuniu centenas de manifestantes na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, no início da noite de hoje (1º). Com cartazes e gritos de “não é não” e “mulher não é mercadoria”, manifestação foi motivada pelos casos em que duas adolescentes foram vítimas de estupro coletivo, sendo uma no Rio de Janeiro e outra no Piauí.
O movimento foi criado por duas meninas no Facebook e recebeu apoio da Associação Brasileira de Mulheres na Carreira Jurídica (ABMCJ/MS). Intitulado “Ato todas por elas”, a mobilização pede o fim da cultura do estupro e da impunidade nestes crimes.
Acadêmica e integrante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UCDB, Marina Duarte disse ao Portal Correio do Estado que, apesar de motivado pelo caso do Rio de Janeiro, em que uma adolescente de 16 anos foi estuprada por 33 homens, e outro no Piauí, em que outra adolescente, de 17 anos, foi violentada por cinco homens, o ato também tem outros objetivos.
“Foi motivado por esses casos, mas principalmente pela cultura machista impregnada no nosso cotidiano e sociedade. Se a gente continuar naturalizando a violência ou culpando a vítima, nada vai mudar”.
Integrante da ABMCJ, advogada Gisele Marques diz que o grupo exige dignidade e o fim da objetificação das mulheres. “Quando uma mulher foi estuprada, todas as mulheres do mundo todo foram estupradas também. Nós não aguentamos mais ser tratadas como coisa, como se não tivéssemos dignidade”, disse.
Já a advogada Clarrisa Queiroz, que também participou do protesto, falou que além do ato foi publicada uma carta de repúdio contra os casos de estupro coletivo. A indignação de Clarissa é principalmente com as pessoas que culparam a vítima pelo crime.
“Foi uma violação muito grande não só aos direitos da mulher, mas aos direitos humanos. O que mais intriga e deixa a gente chocada é que algumas pessoas da sociedade acabaram apoiando e endossando que a mulher vítima de estupro contribuiu para o próprio crime. Então resolvemos sair na rua em busca de igualdade dos direitos humanos e principalmente para alertar a população”, afirmou.
O protesto foi pacífico e começou por volta das 17h30. O grupo se reuniu na Praça do Rádio Clube, percorreu trecho da Avenida Afonso Pena e encerrou o protesto por volta das 19h.
O trânsito ficou impedido durante o período. Como não houve policiamento para controlar o tráfego, motorista de um Ecosporte chegou a jogar o carro em cima dos manifestantes no cruzamento da Afonso Pena com a Pedro Celestino e quase atropelou algumas pessoas, que para evitar o acidente, abriram passagem.