Parte das armas e munições da Polícia Militar (PM) que estava em posse dos indígenas foi devolvida na tarde de hoje pelos guarani kaiowá. Os equipamentos foram tomados de três militares, que foram feitos reféns depois da morte de um índio em confronto com produtores rurais em Caarapó. Tropa da Força Nacional chega amanhã
De acordo com a Polícia Militar (PM), foram devolvidas duas pistolas .40, sete carregadores, aproximadamente 60 munições .40, dois rádios HT, uma carabina spa .12, cerca de 10 munições da carabina e dois coletes a prova de balas. Indígenas ficaram com uma pistola .40, dois carregadores e um rádio HT.
Equipamentos foram devolvidos depois de negociação com as Polícias Federal e Militar e a conversa continua para reaver os materiais que ainda estão sob poder dos indios. Viatura foi queimada.
Segundo a PM, não há registro de novos confrontos, mas a situação é tensa no local por conta de novas invasões de terras. Indígenas teriam invadido pelo menos mais quatro propriedades que ficam nas proximidades da aldeia Tey Kue.
Ainda conforme a Polícia Militar (PM), o grupo está armado com arcos, flechas, lanças, pedaços de pau e a pistola dos militares.
Ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, autorizou o envio de tropa da Força Nacional para reforçar segurança na região e impedir novos confrontos. Tropa de 54 homens deve chegar amanhã ao Estado.
Portal Correio do Estado entrou em contato com o cacique Lorivaldo Nantes, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.
CONFLITO
Clodiode Aquileu Rodrigues de Souza, agente de saúde da aldeia Tey Kue e filho de liderança, morreu baleado ontem.
Outras oito pessoas foram encaminhadas a hospitais de Caarapó e Dourados, incluindo uma mulher e uma criança. Três policiais também integram a lista, depois de serem espancados por indígenas durante resgate das vítimas.
Estão no local representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai), Ministério Público Federal (MPF), além das Polícias Federal, Civil, Militar, Rodoviária Federal e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF). Um helicóptero dá suporte as ações e equipe do Batalhão de Choque, em Campo Grande, está de prontidão caso seja necessária intervenção.
VÍTIMAS
Cinco indígenas feridos no confronto continuam internados no Hospital da Vida, em Dourados e não correm risco de morte. Uma pessoa continua no hospital de Caarapó.
Superintendente do Hospital da Vida, Genivaldo Dias da Silva, disse ao Portal Correio do Estado que das cinco vítimas, três passaram por cirurgia, incluindo a criança de 12 anos. Todos estão estáveis e em observação.
Foram encaminhados ao hospital com ferimentos provocados por tiros o menino de 12 anos, baleado na barriga, Valdilio Garcia, de 26 anos, atingido no tórax, Jesus de Souza, 29 anos, com ferimento de tiro no abdomem e Norivaldo Mendes, de 37 anos, baleado no tórax. Destes, apenas Norivaldo não passou por cirurgia.
Além deles, também deu entrada no Hospital da Vida Libersio Marques Daniel, de 43 anos, com ferimentos na cabeça, ombro, tórax e abdomen. Ele também não precisou de cirurgia.