O período de 42 dias de prisão para os denunciados pela Polícia Federal em esquema de desvio de obras públicas mudou a rotina de luxo que empreiteiro, fazendeiro e servidor público estavam acostumados a viver.
Nesse período que João Alberto Krampe Amorim dos Santos, Edson Giroto, Flávio Henrique Scrocchio e Wilson Roberto Mariano de Oliveira ficaram recolhidos no Centro de Triagem, que fica ao lado da Máxima, no bairro Noroeste, em Campo Grande, eles estavam obrigados a comer de marmita, a dividir espaço com outras 19 pessoas, inclusive o banheiro, e dormir em beliches feitas de concreto e que tem apenas um colchão simples como cama.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio de Mello, dada hoje para que eles fossem soltos serviu como alívio para a situação em que estavam.
As defesas dos investigados entraram com pedido de habeas corpus na terça-feira (14) alegando que eles deveriam responder ao processo em liberdade com base na presunção de inocência.
Entre os presos, Wilson Roberto Mariano, que é fiscal de obras da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) e já foi prefeito de Paranaíba, sentiu fisicamente o peso de estar preso. Perguntado sobre a situação do cliente, a defesa dele informou que o servidor público perdeu 17 quilos.
Ao saber que seria solto hoje, não segurou a emoção. "Todo mundo chora de emoção. Estavam felizes porque vão sair (do regime de prisão) e por isso choraram", comentou o advogado Hilário Carlos Oliveira, que defende Beto Mariano e a filha dele, Mariane Mariano de Oliveira Dornellas, que cumpre prisão preventiva em regime domiciliar.
De acordo com a defesa, o servidor não concordou com a prisão. "Ele entende que em nenhum momento merecia isso. E a Mariane é médica, está impossibilitada de trabalhar", completou o defensor.
Beto Mariano foi preso em 10 de maio junto com outras 14 pessoas na 2ª fase da Operação Lama Asfáltica. Apesar de ficar sem trabalhar nesse período, o salário do servidor público foi pago, conforme consta no site de Transparência do Governo do Estado. Em maio, o contracheque dele foi de R$ 20.007,00, com R$ 400 a mais identificados como remunerações eventuais.