Com a guarda provisória dos dois filhos desde sexta-feira (24) - uma menina de sete anos e um menino de cinco, o promotor de vendas, de 27 anos, tenta na Justiça o direito de cuidar das crianças definitivamente. Na semana passada, vizinho da casa onde morava a mãe com mais três filhos, no Conjunto Habitacional Estrela Dalva, em Campo Grande, gravou vídeo denúncia e encaminhou ao Conselho Tutelar. Para não serem castigadas, as crianças tinham que realizar os serviços domésticos constantemente.
Até o momento o pai não foi chamado para depor, mas afirma que já tem provas suficientes de que os filhos eram mau-tratados e submetidos a serviços domésticos. “Estou com a guarda provisória até a juíza me chamar para audiência. Tenho vídeos das crianças contando o que a mãe fazia com eles, além de fotos de cicatrizes deixadas no corpo, que a própria mãe causou”, contou.
No Conselho Tutelar, a menina, afirmou que constantemente eram deixados em casa sozinhos. No corpo delas foram identificadas cicatrizes antigas decorrentes de agressões da mãe.
Ao Portal Correio do Estado, o pai das crianças contou que foi casado com a diarista por seis anos, e desde 2012 está divorciado. “A mãe sempre assim, nunca se importou com os filhos. Quando eramos casados eu que arrumava eles para escola. Sempre foi uma mãe negligente”. Conforme ele, a mãe das crianças ainda não entrou em contato para obter notícias dos filhos desde que foi denunciada.
Ao relatar o sofrimento que a própria mãe causou nas crianças, o pai chorou e se diz revoltado com a situação. “Quando eu perguntava alguma coisa eles sempre falavam que não podiam me contar nada, senão a mãe batia neles”. Segundo ele, muitas vezes a ex-mulher o proibiu de pegar os filhos e a polícia tinha que ser acionada.
“Eu podia pegá-los a cada 15 dias, mas ela não deixava. Eu chamava a polícia e ela acabava deixando, pois via que a coisa ia piorar pro lado dela”, relatou, ao dizer que tem em aberto dois processos contra a mãe dos filhos dele. “Pedi regularização de visita e revisão de pensão alimentícia, que atualmente era de R$ 480”, reforçou.
Em casa, sob os cuidados da nova família, o pai e a madrasta, com quem é casado há quatro anos, a menina diz que não sente falta da mãe. “Ela me fala que não sente saudades, porque tinha que cuidar dos irmãos e limpar a casa. Vou lutar pela guarda definitiva deles”, afirma o promotor de vendas, que também é pai de um bebê de oito meses, fruto do segundo casamento.
Os dois continuam na mesma escola, já que estão acostumados com a rotina do colégio. “Agora eu levo e busco eles na escola”. Ainda com o emocional abalado, o pai das crianças conta que a filha pergunta se ela pode ajudar a limpar a casa. “Isso virou rotina na vida deles, eles pedem se podem fazer alguma coisa para ajudar, eu falo que não, que agora eles vão brincar”.
Com a figura materna distorcida diante do sofrimento acumulado nos últimos anos, as crianças perguntaram a atual esposa do pai se podem chamá-la de mãe. “Eu expliquei para eles que a mãe deles não é ela, que ela é a titia, mas às vezes se confundem, chamam ela de mãe e a gente fica sem reação”, relatou emocionado o pai das crianças.
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