O garagista campo-grandense André Luiz Almeida Anselmo, de 37 anos, apontado como testa de ferro da quadrilha de traficantes internacionais desmantelada pela Operação Nevada, realizada pela Polícia Federal no mês passado, recebeu dinheiro do doleiro Habib Chater, investigado na Lava Jato. De acordo com documento a que o Correio do Estado teve acesso com exclusividade, a empresa Gilson M. Ferreira Transportes ME, operada pelo doleiro, transferiu valores bancários à conta de André Luiz, no HSBC, em 2013. O garagista usava seu estabelecimento, a I9 Veículos, para lavar dinheiro do tráfico de cocaína comprada com dólares na Bolívia e despachada para São Paulo.
Conforme o Ministério Público Federal (MPF), o valor específico destinado ao sul-mato-grossense não foi divulgado porque o processo ainda é mantido em sigilo bancário. No entanto, foi descoberto ao longo das investigações que a quadrilha comprava cocaína na Bolívia utilizando moeda estrangeira, fato que justifica, em tese, o envolvimento de André com o doleiro. Membros da organização criminosa chegaram a ser presos pela Polícia Federal com U$ 2,2 milhões, dinheiro esse, segundo as informações, “produto da venda de drogas e que seria aplicado em novas aquisições” no país vizinho.
O esquema gerido em família era coordenado por Odir Fernando Santos Corrêa, 32, com apoio dos irmãos Odacir Santos Corrêa, 34, e Odair Corrêa dos Santos, 41, tendo André Luiz, por meio da I9, como braço direito. Graças a ele, o grupo conseguiu manter vida de luxo com automóveis importados e residências em bairros e condomínios de alto padrão. Tanto que a Operação Nevada levou este nome justamente porque a mansão de Odir, quartel general do bando, ficava na Rua Serra Nevada, no Bairro Chácara Cachoeira, região nobre da Capital.
“Quadrilha formada para a prática de tráfico internacional de drogas, notadamente, cocaína, trazendo-as para território nacional. O produto dessas atividades é lavado ou ocultado em forma de depósitos bancários e de bens móveis e imóveis”, lê-se no documento judicial. Tais imóveis eram transferidos para “laranjas”, em sua maioria, esposas dos envolvidos e mulheres da família.
*A reportagem completa está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.